O rei Harald V, da Noruega, morreu nesta sexta-feira (28), aos 89 anos, após mais de três décadas no trono. A informação foi confirmada pelo palácio real em Oslo, segundo o G1. O monarca estava internado desde 17 de agosto no Hospital Universitário de Oslo, onde era tratado com cortisona para uma anemia hemolítica e apresentou também uma infecção bacteriana no sangue. Na quinta-feira (27), a Casa Real informou que seu estado era "muito grave". O papa Leão XIV manifestou pesar pela morte do rei, informou o Vatican News.
Harald V era o monarca mais velho da Europa e ocupava o trono desde 17 de janeiro de 1991, quando sucedeu ao pai, Olav V. Na Noruega, monarquia constitucional, o rei exerce funções principalmente cerimoniais como chefe de Estado. Nos últimos dias, a rainha Sonja e o príncipe herdeiro Haakon, que já atuava como regente durante o afastamento do pai, cancelaram agendas e seguiram para o hospital. O primeiro-ministro Jonas Gahr Støre suspendeu uma viagem à Alemanha, a televisão pública alterou sua programação e noruegueses deixaram flores diante do Palácio Real, em Oslo. Com a morte de Harald, o trono passa a Haakon, primeiro na linha de sucessão.
O que a morte do rei significa para o Brasil
No Brasil, a repercussão passou pela diplomacia ambiental. O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) divulgou nota de pesar e chamou Harald V de "símbolo da conservação". Segundo o instituto, o rei, no trono por mais de três décadas, "deu visibilidade à atuação da Noruega na diplomacia ambiental, contribuindo para o debate internacional sobre clima e proteção das florestas tropicais". O Brazil Journal, por sua vez, lembrou o monarca como "o rei da Noruega que amava o Brasil", em texto dedicado à memória de sua relação com o país.
Nascido em 21 de fevereiro de 1937, em Skaugum, na região de Asker, Harald foi o primeiro príncipe a nascer na Noruega em 567 anos, numa época em que apenas homens podiam herdar o trono. Aos 3 anos, deixou o país com a mãe e as irmãs após a invasão pela Alemanha nazista, em 1940, e viveu o exílio primeiro na Suécia e depois nos Estados Unidos, até o retorno da família em 1945. Tornou-se príncipe herdeiro em 1957 e, em 1968, casou-se com Sonja Haraldsen, uma plebeia, união que provocou debate na época. Ligado à vela, competiu pelo país em três edições dos Jogos Olímpicos, carregou a bandeira norueguesa na abertura dos Jogos de Tóquio, em 1964, e conquistou títulos mundial e europeu, segundo o G1 e a Exame.
Ao longo do reinado, Harald construiu uma imagem de proximidade com a população e atuou como figura de unidade em momentos de crise. Depois dos ataques de 22 de julho de 2011, quando 77 pessoas foram mortas, defendeu uma sociedade aberta e democrática; em 2016, ao completar 25 anos de reinado, discursou em defesa da diversidade da população norueguesa, lembra a Exame. A saúde, porém, foi se deteriorando: ele passou por cirurgia de câncer de bexiga em 2003, por uma operação cardíaca em 2005 e recebeu um marca-passo em 2024, após passar mal numa viagem à Malásia. Diferentemente de outros monarcas europeus, recusou-se a abdicar e dizia que o juramento feito ao Parlamento valeria por toda a vida.
Os últimos meses do reinado foram marcados por turbulências na família real. Em junho de 2026, a princesa herdeira Mette-Marit passou por um transplante de pulmão, e seu filho Marius Borg Høiby foi condenado a quatro anos de prisão por duas acusações de estupro, das quais recorreu. Documentos revelaram ainda contatos de Mette-Marit com Jeffrey Epstein, caso pelo qual ela pediu desculpas ao rei e à rainha. Segundo o G1, o apoio à monarquia caiu de 72% para 61% em um ano, com 27% dos noruegueses favoráveis à república, mas o Parlamento rejeitou por ampla maioria, 141 dos 169 deputados, uma proposta para acabar com o regime. A sucessão por Haakon ocorre, assim, num cenário de instituição ainda majoritariamente apoiada, porém mais desgastada do que no início do reinado de Harald.