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Canadá anuncia retaliação de US$ 20 bilhões em tarifas contra os EUA

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BAPor Beatriz Antunes•26 de agosto de 2026•Fontes: G1 Economia

O governo do Canadá anunciou nesta terça-feira (25) uma nova rodada de tarifas de retaliação contra os Estados Unidos, com alíquotas de 15%, 25% e 50% sobre cerca de 700 produtos americanos. As medidas, avaliadas em C$ 27,6 bilhões (cerca de US$ 20 bilhões, ou R$ 102,8 bilhões), entram em vigor em 8 de setembro e respondem às tarifas de 50% impostas pelo governo de Donald Trump sobre US$ 20 bilhões em produtos canadenses, em vigor desde sábado (22), segundo o G1.

De acordo com um funcionário do governo canadense ouvido pela agência Reuters, as alíquotas mais altas, de 50%, incidirão sobre aço, alumínio, móveis e vestuário. Queijos, eletrodomésticos e parte dos frutos do mar importados dos EUA serão taxados em 25%, enquanto eletrônicos e ferramentas terão tarifa de 15%. Segundo o governo, a lista foi desenhada para pressionar os Estados Unidos com impacto limitado sobre consumidores e empresas do próprio país.

O ministro das Finanças, François-Philippe Champagne, afirmou que "o valor dólar por dólar das contratarifas, assim como um pacote de apoio de vários bilhões de dólares, protegerão trabalhadores, agricultores, famílias e empresas". O pacote citado soma C$ 7,5 bilhões (cerca de R$ 27,9 bilhões) em recursos para pequenas e médias empresas, financiamento de fluxo de caixa e auxílio a trabalhadores afetados pelas tarifas. Em entrevista à BBC Brasil, o ministro de Inteligência Artificial e Inovação Digital, Evan Solomon, adotou tom firme: "Estamos prontos para fazer um bom acordo, mas não vamos aceitar um acordo ruim. Não vamos ceder, não vamos recuar, vamos construir."

Escalada após fracasso das negociações

A retaliação foi anunciada após o colapso das negociações comerciais entre os dois países. Na segunda-feira (24), Trump elevou a pressão ao anunciar tarifas de 50% sobre carros, caminhões, autopeças e aço importados do Canadá, com entrada em vigor prevista para 1º de janeiro de 2027. Para sustentar as novas sobretaxas, o presidente americano recorreu à Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, mecanismo que nunca havia sido usado por um presidente dos EUA para impor tarifas, segundo o The New York Times. Especialistas em comércio avaliam que o uso inédito da norma pode ser contestado nos tribunais.

Apesar do tom firme, o governo canadense deixou de fora da retaliação, por ora, setores estratégicos para a economia americana, como energia e potássio, informou a BBC Brasil. No sábado (22), o primeiro-ministro Mark Carney lembrou que o Canadá responde pela maioria das importações americanas de gás natural e eletricidade e por cerca de 60% do petróleo bruto importado pelos EUA. O premiê de Ontário, Doug Ford, afirmou que uma sobretaxa sobre as exportações de energia "está sendo considerada" e declarou: "O presidente Trump nos subestima, e esse é seu maior erro."

A disputa comercial entre os dois países começou no início de 2025, quando Trump impôs tarifas de 25% sobre a maior parte das importações canadenses e de 10% sobre produtos de energia, sob a justificativa de combater o fluxo de drogas e a imigração ilegal. O Canadá respondeu na época com tarifas de 25% sobre cerca de C$ 30 bilhões em produtos americanos e depois ampliou a retaliação. Hoje, o país vende cerca de 70% de suas exportações aos Estados Unidos e é o principal cliente de 26 estados americanos, incluindo Maine, Michigan e Wisconsin. Segundo estimativa do economista Trevor Tombe citada pelo G1, a manutenção das tarifas americanas de 50% pode colocar mais de 87 mil empregos em risco no Canadá.

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