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Explosões perto da Ilha de Kharg: EUA atacam três petroleiros do Irã

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BAPor Beatriz Antunes•5 de setembro de 2026•Fontes: CNN Brasil, Revista Empreende, G1

Os Estados Unidos atacaram neste sábado (5) três petroleiros ligados ao Irã, depois que mísseis balísticos foram disparados contra dois navios de guerra americanos na região do Golfo. O anúncio é do Comando Central dos EUA (Centcom), estrutura responsável pelas operações militares americanas no Oriente Médio. Horas antes, a mídia estatal iraniana havia relatado explosões perto da Ilha de Kharg, terminal que normalmente responde por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do país. A agência Tasnim informou que o navio-tanque foi atingido por quatro projéteis, sem vítimas, e que a tripulação evacuava a embarcação.

Segundo o Centcom, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) lançou mísseis contra um porta-aviões e um destróier de mísseis guiados, que escaparam dos ataques sem feridos. Na sequência, as forças americanas disseram ter "desativado permanentemente" os navios-tanque M/T Downy, próximo à costa da Ilha de Kharg, e M/T Stark 1, perto de Jask, e destruído por completo o M/T Kylo, que estava descarregado, no Golfo de Omã, após a tripulação receber ordem de abandonar a embarcação. Para o comando, os três navios integram uma "rede paralela multimilionária" que financia a IRGC e seus aliados regionais.

"Que a mensagem para a Guarda Revolucionária Islâmica seja clara: se vocês atirarem em dois de nossos navios, nós imporemos um custo econômico ainda maior, destruindo três dos seus", declarou o almirante Brad Cooper, comandante do Centcom, que acrescentou que os americanos não hesitarão em "destruir a frota petrolífera limitada e vulnerável do Irã".

O que muda para o Brasil

O efeito mais imediato para o Brasil passa pelo preço do barril. O embate entre Washington e Teerã pelo controle do Estreito de Ormuz, rota crucial do abastecimento global de petróleo, já elevou os preços de energia no mundo, segundo o g1, e o Brent, referência internacional, fechou a semana perto dos US$ 95, depois de superar os US$ 97 na sexta-feira (4), em sessão marcada por ataques ao Kuwait, conforme noticiou a Revista Empreende. O movimento tem dois lados no país: sustenta a receita das exportações do pré-sal e reaparece no custo do diesel e da gasolina, cujos preços internos acompanham a paridade internacional. Há ainda um segundo alerta para terceiros países: o presidente Donald Trump ameaçou medidas econômicas mais duras contra qualquer nação que negocie com Teerã.

Interesses em jogo

Washington diz querer degradar o financiamento da IRGC e manter o Estreito de Ormuz livre para a navegação; Teerã usa a ameaça ao estreito como principal alavanca de negociação. No meio estão os países que sediam tropas americanas, como Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait e Jordânia, atingidos pelas retaliações iranianas desta semana, e Israel, que participou dos primeiros grandes ataques ao Irã, em 28 de fevereiro, ao lado dos EUA. Trump já ameaçou, inclusive, capturar a Ilha de Kharg.

A troca de ataques voltou no início da semana, após mais de um mês de relativa calma e a expiração formal, no mês passado, do cessar-fogo de 60 dias entre os dois países. No domingo, os EUA afirmaram ter atingido dois lançadores de foguetes que seriam usados para minar o estreito; na terça, Trump falou em novo "ataque muito pesado". A Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano afirma que estilhaços de míssil atingiram um casamento em Sirik, no sul do Irã, matando pelo menos quatro pessoas, duas delas crianças. O vice-presidente americano, JD Vance, disse encarar a versão com "extremo ceticismo", mas prometeu investigação; Teerã classificou o episódio como "crime de guerra".

Na quinta, Vance negou que o conflito deva sequer ser chamado de guerra, afirmou que "não houve tiroteios em curso" e recusou qualquer prazo para o fim dos combates, sugerindo que cabe ao Irã encerrar a disputa, que começou com ataques aéreos conjuntos entre EUA e Israel há seis meses. No mar, o dia terminou com avisos por rádio: áudios confirmados pela CNN mostram uma aeronave militar americana dando dez minutos para a tripulação do Stark 1 abandonar a popa e, depois, o aviso final para entrar nos botes salva-vidas. "Já estamos destruídos", responde alguém a bordo, em um dos áudios. Segundo a emissora estatal IRIB, não houve vítimas: o sistema de refrigeração apagou o incêndio no navio atingido perto de Kharg em cerca de uma hora, e as tripulações dos dois petroleiros atacados no Golfo de Omã chegaram à costa em botes. Teerã não reconheceu de imediato os ataques contra os navios americanos.

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