Os Estados Unidos atacaram neste sábado (5) três petroleiros ligados ao Irã, depois que mísseis balísticos foram disparados contra dois navios de guerra americanos na região do Golfo. O anúncio é do Comando Central dos EUA (Centcom), estrutura responsável pelas operações militares americanas no Oriente Médio. Horas antes, a mídia estatal iraniana havia relatado explosões perto da Ilha de Kharg, terminal que normalmente responde por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do país. A agência Tasnim informou que o navio-tanque foi atingido por quatro projéteis, sem vítimas, e que a tripulação evacuava a embarcação.
Segundo o Centcom, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) lançou mísseis contra um porta-aviões e um destróier de mísseis guiados, que escaparam dos ataques sem feridos. Na sequência, as forças americanas disseram ter "desativado permanentemente" os navios-tanque M/T Downy, próximo à costa da Ilha de Kharg, e M/T Stark 1, perto de Jask, e destruído por completo o M/T Kylo, que estava descarregado, no Golfo de Omã, após a tripulação receber ordem de abandonar a embarcação. Para o comando, os três navios integram uma "rede paralela multimilionária" que financia a IRGC e seus aliados regionais.
"Que a mensagem para a Guarda Revolucionária Islâmica seja clara: se vocês atirarem em dois de nossos navios, nós imporemos um custo econômico ainda maior, destruindo três dos seus", declarou o almirante Brad Cooper, comandante do Centcom, que acrescentou que os americanos não hesitarão em "destruir a frota petrolífera limitada e vulnerável do Irã".
O que muda para o Brasil
O efeito mais imediato para o Brasil passa pelo preço do barril. O embate entre Washington e Teerã pelo controle do Estreito de Ormuz, rota crucial do abastecimento global de petróleo, já elevou os preços de energia no mundo, segundo o g1, e o Brent, referência internacional, fechou a semana perto dos US$ 95, depois de superar os US$ 97 na sexta-feira (4), em sessão marcada por ataques ao Kuwait, conforme noticiou a Revista Empreende. O movimento tem dois lados no país: sustenta a receita das exportações do pré-sal e reaparece no custo do diesel e da gasolina, cujos preços internos acompanham a paridade internacional. Há ainda um segundo alerta para terceiros países: o presidente Donald Trump ameaçou medidas econômicas mais duras contra qualquer nação que negocie com Teerã.
Interesses em jogo
Washington diz querer degradar o financiamento da IRGC e manter o Estreito de Ormuz livre para a navegação; Teerã usa a ameaça ao estreito como principal alavanca de negociação. No meio estão os países que sediam tropas americanas, como Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait e Jordânia, atingidos pelas retaliações iranianas desta semana, e Israel, que participou dos primeiros grandes ataques ao Irã, em 28 de fevereiro, ao lado dos EUA. Trump já ameaçou, inclusive, capturar a Ilha de Kharg.
A troca de ataques voltou no início da semana, após mais de um mês de relativa calma e a expiração formal, no mês passado, do cessar-fogo de 60 dias entre os dois países. No domingo, os EUA afirmaram ter atingido dois lançadores de foguetes que seriam usados para minar o estreito; na terça, Trump falou em novo "ataque muito pesado". A Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano afirma que estilhaços de míssil atingiram um casamento em Sirik, no sul do Irã, matando pelo menos quatro pessoas, duas delas crianças. O vice-presidente americano, JD Vance, disse encarar a versão com "extremo ceticismo", mas prometeu investigação; Teerã classificou o episódio como "crime de guerra".
Na quinta, Vance negou que o conflito deva sequer ser chamado de guerra, afirmou que "não houve tiroteios em curso" e recusou qualquer prazo para o fim dos combates, sugerindo que cabe ao Irã encerrar a disputa, que começou com ataques aéreos conjuntos entre EUA e Israel há seis meses. No mar, o dia terminou com avisos por rádio: áudios confirmados pela CNN mostram uma aeronave militar americana dando dez minutos para a tripulação do Stark 1 abandonar a popa e, depois, o aviso final para entrar nos botes salva-vidas. "Já estamos destruídos", responde alguém a bordo, em um dos áudios. Segundo a emissora estatal IRIB, não houve vítimas: o sistema de refrigeração apagou o incêndio no navio atingido perto de Kharg em cerca de uma hora, e as tripulações dos dois petroleiros atacados no Golfo de Omã chegaram à costa em botes. Teerã não reconheceu de imediato os ataques contra os navios americanos.