arrow_backVoltar
internationalenergyoiliranmiddle-east

EUA dizem ter destruído cinco petroleiros iranianos perto de Kharg; petróleo sobe

bookmark_borderSalvar

Forças dos Estados Unidos destruíram nesta terça-feira (8) cinco petroleiros iranianos nas proximidades da ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã, no Golfo Pérsico. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), a ação respondeu a dois ataques com mísseis balísticos da Guarda Revolucionária contra um navio de guerra americano nos últimos dias; o navio "evadiu com sucesso" os projéteis e ninguém ficou ferido.

Do lado iraniano, os relatos foram parciais e não registraram vítimas. A agência semioficial Tasnim informou que um pequeno petroleiro foi atingido por um míssil americano a quatro milhas (6,4 quilômetros) da ilha.

"Um pequeno petroleiro iraniano foi alvo de um ataque com mísseis por parte do Exército terrorista dos Estados Unidos a quatro milhas [6,4 km] da ilha de Kharg. O petroleiro foi atingido por um projétil lançado pelas forças americanas na área de fundeio da ilha", afirmou a Tasnim, em comunicado reproduzido pela Folha de S.Paulo.

A agência Mehr noticiou o som de várias explosões em partes da ilha, e a Fars registrou duas detonações em sequência na cidade portuária de Jask, perto do estratégico Estreito de Ormuz, por volta das 21h45 no horário local (15h15 em Brasília).

O efeito imediato apareceu no mercado. O barril de Brent, referência internacional, fechou o dia perto de US$ 98 e seguiu em alta depois dos relatos de explosões na área de fundeio de Kharg, que fica a cerca de 24 quilômetros da costa e concentra cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã, segundo a Bloomberg. Para o Brasil, o cenário tem duplo efeito: o país exporta mais petróleo cru do que importa, o que amplia a receita das exportações com o barril caro, mas ainda compra parte do diesel que consome no exterior, o que pode pressionar o custo dos combustíveis e a inflação se os preços se sustentarem em patamares altos.

Os interesses em jogo

A guerra foi lançada pelos Estados Unidos em 28 de fevereiro, com a justificativa de limitar o programa nuclear iraniano, e o foco mais recente das operações é a reabertura do Estreito de Ormuz, pelo qual passava cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) comercializados no mundo antes do conflito. A Marinha americana bloqueia embarcações carregadas com petróleo iraniano; o Irã responde com mísseis contra navios internacionais que tentam deixar o Golfo. Na mesma terça-feira, o Departamento do Tesouro dos EUA impôs sanções a dezenas de empresas ligadas ao setor de aviação do Irã, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, defende que a pressão econômica torne improvável a retomada em larga escala dos confrontos. Como analisa a Bloomberg, os ataques dos dois lados mostram a dificuldade de Washington em sair da fase de hostilidades diretas para uma campanha sustentada de pressão econômica: em agosto, o governo de Donald Trump anunciou que priorizaria o estrangulamento econômico do Irã e reduziria a intensidade da ofensiva militar, mas as trocas de golpes continuaram.

Riscos de escalada

A retaliação iraniana anunciada na sequência amplia o raio do confronto. A Guarda Revolucionária disse ter atacado uma base americana na Jordânia, informação que não foi confirmada, e divulgou comunicado determinando que todas as tripulações de navios-tanque nos portos do Kuwait e do Bahrein abandonem imediatamente as embarcações, sob o argumento de que podem ser atingidas. Teerã também afirmou ter capturado um drone submarino americano moderno; os EUA minimizaram, descrevendo o equipamento como defeituoso. Em paralelo, o Irã negocia com o Omã a reabertura do tráfego marítimo em Ormuz, embora os dois países estudem cobrar uma tarifa de passagem, ideia que os Estados Unidos e seus aliados rejeitam por considerarem a rota uma via internacional livre.

O ataque de segunda-feira ao navio americano foi noticiado primeiro pelo Wall Street Journal, e uma repórter da Fox News, citando autoridades de alto escalão, afirmou que os alvos desta terça incluíam petroleiros ligados à Guarda Revolucionária, como parte de um esforço mais amplo para forçar concessões de Teerã. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que os EUA seguirão destruindo petroleiros iranianos como retaliação, e Trump já ameaçou atingir estruturas petrolíferas do país e chegou a aventar assumir o controle do terminal de Kharg. O Reino Unido, por sua vez, anunciou uma emenda legislativa para reinstaurar sanções contra o Irã por "ações hostis", ampliando restrições ao comércio e poderes para punir navios ligados ao programa nuclear iraniano.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Faça login para comentar. Entrar