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Trump descarta frear a IA por causa da China e fala em ficar com o petróleo do Irã

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BAPor Beatriz Antunes•14 de setembro de 2026•Fontes: CNN Brasil, InfoMoney, G1

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descartou neste domingo (13) desacelerar o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) e afirmou que o país não pode arriscar perder a vantagem sobre a China na disputa global pela tecnologia. Em conversa com jornalistas em um campo de golfe na Irlanda, onde acompanha o Irish Open, ele disse que os EUA "estão liderando em relação à China" e resumiu a aposta: "quem vencer na IA, vence tudo". No mesmo encontro com a imprensa, voltou a dizer que os EUA podem permanecer no Irã e "ficar com o petróleo" após a guerra.

As declarações chegam no momento mais tenso do debate americano sobre segurança da IA. No sábado (12), o presidente executivo da Anthropic, Dario Amodei, apresentou uma estrutura em três etapas para ditar o ritmo do desenvolvimento e criar tempo para gerenciar riscos, com apoio público de Elon Musk e do presidente da OpenAI, Sam Altman. Segundo o G1, o debate esquentou depois que dois pesquisadores da Anthropic pediram demissão e alertaram que o avanço rápido da tecnologia poderia levar à extinção da raça humana, e o Pentágono também advertiu sobre riscos do modelo da empresa. Um dos pesquisadores, Jacob Coxon, defendeu coordenação internacional para conter a corrida.

Para o Brasil, a disputa aparece por duas vias. Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, têm reunião prevista para este mês, e o tema da IA deve estar entre os assuntos, segundo a InfoMoney; o encontro pode definir as regras da competição entre as duas maiores economias do mundo. Dias antes, na cúpula do Brics na Índia, Xi prometeu criar uma IA de código aberto para os países do bloco, do qual o Brasil faz parte, segundo a CNN Brasil. Para países de porte médio como o brasileiro, escolher entre os modelos fechados americanos e a promessa chinesa de código aberto virou decisão de política externa tanto quanto técnica.

Divisão no Congresso e dinheiro eleitoral

Questionado se a indústria deveria desacelerar, Trump reconheceu que algumas regras podem ser necessárias, mas rejeitou qualquer pausa. "Poderíamos colocar barreiras de proteção. Podemos fazer isso e aquilo. Mas acho que há muitas forças muito negativas que estão trazendo esse assunto à tona quando não deveriam, e estão levantando coisas que não vão acontecer", declarou, segundo o G1. Em entrevista ao programa "Face the Nation", da CBS, Amodei chamou a competição entre empresas americanas e chinesas de "dilema mais difícil" na tentativa de estabelecer um limite de velocidade para a IA.

"Não devemos nos enganar, pois os incentivos para se destacar e a vantagem militar obtida com isso são tão grandes que a capacidade de checar se o outro lado não está trapaceando precisa ser irrefutável. Então acho que esse será um trabalho de anos e, sinceramente, não sei se é possível", disse Amodei.

O debate chega ao Congresso às vésperas das eleições de meio de mandato de 3 de novembro, que definirão o controle da Câmara e do Senado. Executivos de IA injetaram dinheiro nas campanhas: o America PAC, supercomitê de ação política ligado a Musk, já gastou milhões apoiando candidatos republicanos, segundo o G1. O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, defendeu "algumas barreiras" de segurança, mas alertou que perder a liderança para a China seria ameaça à segurança nacional. Já o líder democrata na Casa, Hakeem Jeffries, cobra ação mais rápida do Congresso para desacelerar o ritmo. Na Casa Branca, o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, disse esperar reuniões nesta semana entre autoridades de política cibernética, ciência e tecnologia, segundo a InfoMoney.

Irã e petróleo

Sobre o Irã, Trump disse esperar que a guerra termine ainda neste ano, possivelmente logo após as eleições de meio de mandato, e que o preço da gasolina "desabaria" com o fim do conflito. Depois apresentou outra saída, com um paralelo com a Venezuela: "No final das contas, vamos sair, a menos que decidamos permanecer e ficar com o petróleo, como na Venezuela", declarou, segundo a CNN Brasil. Em agosto, os EUA anunciaram um acordo para assumir o controle de um quinto das reservas venezuelanas, e Trump afirmou que a receita do país "pagou a guerra muitas vezes". Ele também voltou a dizer que o Irã estaria "pedindo constantemente" negociações de paz, afirmação que o governo de Teerã já refutou. O mercado segue tenso: operadores esperam nova alta do preço do petróleo nesta segunda (14), depois de um ataque a um oleoduto na Arábia Saudita.

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