O estado de saúde do rei Harald 5º, da Noruega, sofreu uma piora severa nesta quinta-feira (27) enquanto o monarca permanece internado no Hospital Universitário de Oslo, informou a corte real em comunicado oficial. Aos 89 anos, o chefe de Estado norueguês, que ocupa o trono desde 1991 e é o monarca mais idoso da Europa, recebe tratamento contra uma infecção bacteriana no sangue desde o dia 17 de agosto. Diante do quadro classificado como muito grave, o príncipe herdeiro Haakon e a rainha Sonja cancelaram compromissos públicos para acompanhar o rei na unidade de saúde, segundo a CNN Brasil.
O primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, declarou apoio público à monarquia em nota oficial, afirmando que a população acompanha a situação com apreensão e carinho. A estabilidade política do país nórdico não está em risco, já que a Noruega adota uma monarquia parlamentarista em que o rei desempenha funções constitucionais e cerimoniais de representação diplomática. Como aliado estratégico da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e principal fornecedor de gás natural para a União Europeia (UE), o governo de Oslo mantém seus canais institucionais sob a regência temporária do príncipe Haakon.
Relações com o Brasil e cooperação climática
Para o Brasil, os desdobramentos na casa real norueguesa tocam diretamente na diplomacia ambiental e nos investimentos energéticos bilaterais. A Noruega é a principal doadora internacional do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mecanismo central na captação de recursos para o combate ao desmatamento e o desenvolvimento sustentável. Além da cooperação governamental em fóruns multilaterais sobre clima, empresas norueguesas como a petroleira estatal Equinor e a produtora de alumínio Norsk Hydro possuem operações de grande porte no território brasileiro.
Diplomatas em Brasília avaliam que uma eventual transição para o reinado de Haakon manterá a continuidade das políticas de Estado da Noruega, uma vez que o herdeiro já participou de agendas diplomáticas e apoia a pauta climática e multilateral. Em declarações anteriores, o rei Harald descartou renunciar ao trono, reiterando que seu juramento à Constituição foi feito para toda a vida, o que reforça o caráter estritamente regencial da atual liderança de Haakon durante a hospitalização.