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Trump anuncia controle dos EUA sobre 65 bilhões de barris de petróleo da Venezuela

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BAPor Beatriz Antunes•29 de agosto de 2026•Fontes: InfoMoney, Folha de S.Paulo, BBC Brasil, G1

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (28) um acordo que, segundo ele, garante a Washington o controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo da Venezuela, volume equivalente a cerca de 21% de todo o petróleo do país sul-americano, segundo o G1. Em publicação em sua rede social, a Truth Social, Trump classificou o pacto como "o maior acordo petrolífero de todos os tempos", informou a BBC Brasil.

"Sob minha orientação, o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário de Guerra, Pete Hegseth, trabalhando em estreita colaboração com a altamente respeitada presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e por meio de uma parceria com o setor privado, garantiram o controle majoritário dos EUA sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo na Venezuela, sem qualquer custo para o contribuinte americano."

Segundo a Folha de S.Paulo, que cita a Reuters, Trump afirmou que o acordo mais do que dobraria as reservas de petróleo dos Estados Unidos. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, escreveu nas redes sociais que o pacto demonstra que a política externa do governo busca garantir reservas estáveis e petróleo de baixo custo no hemisfério, reduzindo "os preços da gasolina aqui em casa". Para a Venezuela, Rubio prometeu "quase US$ 100 bilhões em investimentos privados", milhares de empregos bem remunerados e impulso à reconstrução da economia do país.

O que significa para o Brasil

Para o Brasil, que divide com a Venezuela uma fronteira de mais de 2 mil quilômetros, o anúncio tem duas leituras. A primeira é diplomática: o alinhamento do governo interino de Caracas a Washington redesenha o equilíbrio político da América do Sul, onde Brasília acompanha a crise venezuelana de perto. A segunda é econômica. O Brasil é o maior produtor de petróleo da América do Sul, e uma eventual retomada da produção venezuelana, hoje em cerca de 1,25 milhão de barris por dia, aumentaria a oferta global e poderia pressionar os preços internacionais da commodity, com efeitos para exportadores como a Petrobras.

O mapa de interesses ajuda a entender o desenho do acordo. Os Estados Unidos enfrentam pressão interna com a alta da gasolina antes das eleições de meio de mandato, previstas para novembro, e buscam recompor a Reserva Estratégica de Petróleo, o estoque de emergência do país, segundo o InfoMoney. O governo interino de Delcy Rodríguez, vice de Nicolás Maduro que assumiu após a deposição do chavista, precisa de investimento e de fluxo de receita para uma indústria energética deteriorada. Já as empresas privadas mencionadas por Trump, ainda não identificadas, entrariam como operadoras dos campos. A Venezuela é membro fundador da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), cartel que estima as reservas comprovadas do país em cerca de 303 bilhões de barris, as maiores do mundo.

Termos ainda indefinidos

O anúncio é o desdobramento mais recente da intervenção americana de 3 de janeiro, quando uma operação militar dos EUA entrou na Venezuela, capturou o então presidente Nicolás Maduro e o levou a Nova York, onde ele aguarda julgamento, segundo o G1. Desde então, Washington exerce de fato o poder no país, embora Rodríguez ocupe oficialmente a Presidência interina e tenha adotado medidas pró-Washington, como a soltura de presos políticos e o envio de petróleo aos Estados Unidos. Rubio já havia defendido que a Venezuela passaria por três etapas após a saída de Maduro: estabilização econômica, reorganização política e transição para eleições.

Apesar da celebração de Trump, os termos do acordo seguem pouco claros. Como aponta a BBC Brasil, o presidente não explicou o significado jurídico de "controle majoritário", quais empresas participam, quais campos petrolíferos estão incluídos ou o que a Venezuela receberá em troca. Até a publicação desta reportagem, o governo venezuelano não havia confirmado oficialmente o anúncio, e nenhum documento com os termos do pacto foi divulgado. A BBC informou ainda que não conseguiu verificar de forma independente as negociações, que a imprensa americana já havia antecipado na véspera, envolvendo mais de uma dezena de campos de petróleo venezuelanos.

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