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Irã ataca base dos EUA na Jordânia e navios no Golfo; Ormuz vira centro da crise

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BAPor Beatriz Antunes•10 de setembro de 2026•Fontes: O Globo, Folha de S.Paulo, VEJA, g1, AFP

A Guarda Revolucionária Islâmica, força de elite do Irã, atacou nesta quarta-feira (9) uma base militar americana na Jordânia e cerca de 20 navios no Golfo Pérsico, em retaliação ao bombardeio dos Estados Unidos que destruiu cinco petroleiros iranianos perto da ilha de Kharg na véspera. Com a nova escalada da guerra no Oriente Médio, o preço do petróleo voltou a ultrapassar os US$ 100, segundo a revista Veja.

Em comunicado divulgado pela IRNA, agência estatal de notícias do Irã, a guarda afirmou ter atingido "instalações de manutenção e reparo, áreas de preparação e locais de decolagem dos caças F-35, F-16 e F-15" e causado "danos graves ao inimigo mal-intencionado". O Exército da Jordânia informou que interceptou 18 dos 20 mísseis lançados contra o território do país; os dois restantes caíram em áreas desabitadas.

Horas depois, um segundo comunicado anunciou ataques contra dois navios americanos, oito petroleiros e outras dez embarcações que tentavam cruzar o Estreito de Ormuz, passagem pela qual escoa parte essencial do petróleo comercializado no mundo. A força iraniana também advertiu petroleiros ancorados nos portos do Kuwait e do Bahrein, que abrigam forças americanas, a abandonarem os navios. A UKMTO, agência britânica de monitoramento marítimo, confirmou ataques a vários navios mercantes no norte do Golfo. Para o jornal O Globo, a operação sinaliza prontidão para confrontar os EUA e manter o controle de Ormuz; a Folha de S.Paulo noticiou que Teerã sinaliza disposição de intensificar o confronto diante da pressão crescente dos americanos.

Para o Brasil, o efeito mais imediato chega pelo preço dos combustíveis. O barril acima de US$ 100 pressiona a paridade de importação que orienta os preços da Petrobras, estatal que anunciou nesta semana aumento na gasolina vendida às distribuidoras e que, segundo a Folha, não deve refletir o reajuste nas bombas. O país exporta petróleo cru, o que amortece parte do choque na balança comercial, mas importa diesel e sente o petróleo caro em fretes e inflação. Em plena disputa presidencial, combustível é um dos temas mais sensíveis da campanha.

O que cada lado quer

No lado americano, o presidente Donald Trump disse nesta quarta que espera que a guerra termine "imediatamente" após as eleições legislativas de meio de mandato, em novembro, e acusou Teerã de tentar influenciar a votação. A leitura interna do governo é mais sombria: segundo o jornal The Wall Street Journal, citado pelo g1, o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio advertiram em particular que o Irã pode resistir até 2029, e o Pentágono já estendeu parte da presença de tropas no Oriente Médio para 2027.

A carta principal do Irã é o próprio Estreito de Ormuz: dificultar a rota encarece o petróleo e impõe custo político aos EUA e a seus aliados. A Jordânia, monarquia aliada de Washington, interceptou quase todos os mísseis para não ser arrastada ao confronto. O quadro lembra a chamada guerra dos petroleiros dos anos 1980, quando ataques à navegação no Golfo levaram os americanos a escoltar embarcações mercantes. À pressão militar soma-se a diplomática: a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), ligada à ONU (Organização das Nações Unidas), denunciou o Irã ao Conselho de Segurança por violações de não proliferação, noticiou o g1.

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