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Reino Unido, França e mais 10 países sancionam assentamentos israelenses na Cisjordânia

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BAPor Beatriz Antunes•8 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, BBC Brasil

Os governos de 12 países, entre eles Reino Unido, França e Canadá, anunciaram nesta terça-feira (8) um pacote coordenado de sanções em retaliação à expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada. As palavras mais duras vieram de Londres: em discurso no Parlamento, o chanceler britânico, Ed Miliband, disse que uma "limpeza étnica" é praticada por "colonos terroristas" em áreas do território e que o governo de Israel, "com muita frequência", faz "vista grossa" a isso, segundo a BBC e a Folha de S.Paulo, que citam as agências Reuters e AFP. O grupo reúne ainda Dinamarca, Finlândia, Islândia, Irlanda, Noruega, Polônia, Portugal, Espanha e Suécia.

A primeira medida britânica é a proibição da importação de produtos fabricados nos assentamentos, considerados ilegais pelo direito internacional. Londres também passará a recusar licenças de exportação de armas e outros bens que "contribuam materialmente para a ocupação" e ameaçou atingir empresas e indivíduos que financiem ou construam nos assentamentos. "Vocês enfrentarão todo o peso das sanções do Reino Unido", disse Miliband aos parlamentares. Segundo a BBC, Israel planeja construir 1,2 mil novas residências no território ocupado, e dados da ONU (Organização das Nações Unidas) apontam aumento dos ataques de colonos contra palestinos neste ano. Em declaração conjunta, os 12 governos afirmaram que a violência dos colonos atingiu níveis "sem precedentes" e que as ações israelenses estão "minando a possibilidade de uma solução de dois Estados".

"Hoje, anuncio que a posição oficial do governo britânico é a de que a ocupação é ilegal", declarou Miliband.

O que isso significa para o Brasil

O Brasil não integra o grupo, e nenhum dos 12 governos cobrou adesão de terceiros. Ainda assim, o pacote chega a Brasília em momento delicado. O país reconheceu o Estado da Palestina em 2010, defende há décadas a solução de dois Estados e sua diplomacia costuma condenar a expansão dos assentamentos em fóruns multilaterais. No plano econômico, o principal canal de comércio entre o Brasil e Israel é o acordo de livre comércio em vigor desde 2010 entre Israel e o Mercosul (Mercado Comum do Sul). Como as sanções miram produtos dos assentamentos, fatia pequena do comércio total, qualquer efeito sobre empresas brasileiras dependeria de uma decisão própria do governo, que não foi cogitada publicamente até aqui.

Pressão europeia e reações

A composição do grupo mostra os interesses em jogo. A França pressionava havia semanas por uma resposta conjunta da União Europeia (UE), mas a proposta esbarrava na resistência de países do bloco, segundo a Folha. Irlanda e Espanha já haviam adotado medidas próprias contra o comércio com os assentamentos, e a BBC informa que Países Baixos e Bélgica proibiram ou estão proibindo a importação desses produtos sem assinar a declaração conjunta. Os 12 países disseram que adotarão restrições nacionais ou apoiarão medidas no âmbito da UE. Miliband equilibrinou o discurso: repetiu que o alvo são os assentamentos ilegais, e não o Estado de Israel, instou Israel a suspender a retenção de receitas que, segundo ele, inviabiliza serviços essenciais na Cisjordânia, e cobrou que o Hamas entregue as armas. "O Hamas não pode desempenhar nenhum papel na futura governança de Gaza", disse.

A reação foi imediata. O chanceler israelense, Gideon Saar, anunciou o fechamento do consulado britânico em Jerusalém Oriental, que mantém relações com a Autoridade Palestina. O presidente Isaac Herzog classificou as medidas como um "grave erro de cálculo". Dos Estados Unidos, o embaixador em Israel, Mike Huckabee, disse à BBC que Washington "sem dúvida" responderá e que empresas britânicas poderão ser proibidas de negociar em vários estados americanos. No Reino Unido, o deputado oposicionista Tom Tugendhat, do Partido Conservador, alertou que "palestinos e israelenses inocentes sofrerão" e que transformar Israel em um "pária" cria risco de nova onda de violência antissemita nas ruas britânicas. Segundo a BBC, o primeiro-ministro, Andy Burnham, falou por telefone com o presidente Donald Trump na segunda-feira (7); o relato oficial não especifica se as sanções foram informadas.

O impacto econômico imediato deve ser pequeno. O comércio anual entre Reino Unido e Israel gira em torno de £ 6 bilhões (cerca de R$ 41 bilhões), e os produtos dos assentamentos representam fração mínima desse total, segundo a Folha. O peso do anúncio é político. A BBC classificou as medidas britânicas como inéditas, e Miliband apresentou o pacote como uma mensagem ao governo israelense, aos palestinos e ao mundo de que o Reino Unido "não compactuaremos com a destruição da solução de dois Estados".

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