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EUA retomam bombardeios a lanchas no Pacífico e matam dois após dois meses

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BAPor Beatriz Antunes•26 de agosto de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo

Os Estados Unidos retomaram os bombardeios contra embarcações que supostamente transportam drogas nas águas da América do Sul, após dois meses sem ataques anunciados na região. A operação ocorreu no domingo (23) no Pacífico Oriental e matou duas pessoas que estavam em uma lancha, segundo o Comando Sul dos Estados Unidos, que divulgou a ação na segunda-feira (24).

Em publicação na rede social X, o Comando Sul afirmou ter executado um "ataque cinético letal" contra uma embarcação de baixo perfil que operava em rotas de narcotráfico já conhecidas no Pacífico Oriental. O comunicado diz que informações de inteligência confirmavam o envolvimento do barco com o tráfico e classifica os dois mortos como "narcoterroristas". Como destaca a Folha de S.Paulo, nenhuma evidência foi apresentada. A mensagem veio acompanhada de um vídeo que mostra uma lancha em movimento sendo atingida por um projétil e explodindo em chamas, no mesmo padrão das operações anteriores.

"Deixe-me ser claro: não permitiremos que narcoterroristas operem impunemente no hemisfério ocidental nem que seu veneno mortal chegue às comunidades americanas", afirmou o general Francis Donovan, chefe do Comando Sul. Ao site Stars and Stripes, Donovan disse ainda que os Estados Unidos pretendem impor aos traficantes o que chamou de atrito sistêmico total, com a interrupção das operações, a desmontagem das lideranças e a eliminação do terror dos cartéis na região.

Campanha soma mais de 60 ataques e centenas de mortos

A campanha de bombardeios contra embarcações no Caribe e no Pacífico já ultrapassa 60 ataques. O número de mortos passa de 210, segundo o Stars and Stripes; a Folha fala em ao menos 220 vítimas. O ataque anterior havia ocorrido em 21 de junho, quando duas pessoas acusadas pelos EUA de narcotráfico morreram e outras seis que estavam na mesma embarcação sobreviveram ao míssil americano.

A pausa de dois meses começou no dia em que o ultradireitista Abelardo de la Espriella foi eleito presidente da Colômbia, marco de uma guinada ideológica que levou aliados do presidente Donald Trump ao poder em diversos países da América do Sul, aponta a Folha. A retomada dos ataques ocorre em meio a uma ofensiva retórica de Washington na região: na semana passada, durante visita ao Panamá, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, afirmou que Colômbia, Guatemala e Honduras concordaram em autorizar operações militares conjuntas com os Estados Unidos contra grupos criminosos em seus territórios, segundo o Stars and Stripes.

A Folha ressalta que a rota marítima atacada não é a principal via de entrada de drogas nos Estados Unidos. Neste ataque, como nos anteriores, o Comando Sul não apresentou provas públicas de que a embarcação destruída carregava drogas.

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