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Revogação de vistos dos EUA já afeta América Latina há meses

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BAPor Beatriz Antunes•26 de agosto de 2026•Fontes: CNN Brasil

O Departamento de Estado dos Estados Unidos suspendeu temporariamente, a partir desta terça-feira (25), os agendamentos de entrevistas para vistos de imigração em todo o mundo, segundo um porta-voz do órgão citado pela agência Reuters e reproduzido pela Folha de S.Paulo. A medida, anunciada como parte de um treinamento global para funcionários consulares, é o capítulo mais recente de uma ofensiva que já vem restringindo e cancelando vistos na América Latina há meses, incluindo casos envolvendo autoridades brasileiras, mexicanas, chilenas e argentinas, segundo reportagem da CNN Brasil.

À frente da política está Christopher Landau, subsecretário de Estado dos EUA, que se tornou conhecido nas redes sociais como 'o Revogador de Vistos', apelido que ele próprio celebra publicamente. O caso mais notório ocorreu em setembro de 2025, quando o Departamento de Estado anunciou a revogação do visto do então presidente da Colômbia, Gustavo Petro, depois que ele incitou soldados americanos a desobedecer ordens do presidente Donald Trump durante um discurso em Nova York.

No Brasil, o mesmo mecanismo já havia sido usado antes: o Departamento de Estado revogou os vistos do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes e de outros magistrados brasileiros, sob a alegação de que eles conduziam uma 'caça às bruxas política' contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Landau não anunciou formalmente a medida, mas se somou publicamente às críticas contra o ministro, o que aprofundou o desgaste diplomático entre Washington e Brasília.

México e América do Sul também foram alvo

No México, mais de 50 vistos de políticos foram cancelados por supostas ligações com o narcotráfico nos primeiros dez meses do governo Trump, segundo levantamento da Reuters citado pela CNN Brasil, embora a identidade da maioria dos afetados não tenha sido divulgada. Entre os casos conhecidos está o do governador da Baja California, que negou qualquer vínculo com o crime organizado. Em agosto, Andrés Manuel López Beltrán, filho do ex-presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador, afirmou que teve o visto cancelado e atribuiu a decisão a Landau e ao secretário de Estado Marco Rubio. Na Argentina, a embaixada americana alertou em julho executivos de uma empresa de que vistos poderiam ser restringidos para quem fizesse negócios com a chinesa Huawei. No Chile, os EUA revogaram em março os vistos de três autoridades envolvidas no projeto de um cabo submarino entre o país e a China.

Para Beata Wojna, professora de Relações Internacionais do Tecnológico de Monterrey e ex-embaixadora da Polônia no México, o uso político dos vistos deixou de ser exceção.

Obter um visto não é mais suficiente; agora também é preciso saber como mantê-lo. Vistos, assim como os de comércio, energia ou minerais críticos, estão se tornando instrumentos de pressão.
disse ela, em publicação na rede social X citada pela CNN Brasil.

Novo plano pode ampliar revogações em massa

O Departamento de Estado confirmou à CNN que prepara a revogação de vistos de trabalho ou negócios de milhares de pessoas que entraram nos EUA com essas permissões e depois solicitaram asilo. Segundo estimativas da agência Associated Press, citadas pela reportagem, o total de pessoas afetadas por pedidos de asilo desde 2016 pode chegar a 200 mil, o que representaria a maior campanha de revogação de vistos da história americana. Já a suspensão temporária dos agendamentos de entrevistas, revelada primeiro pelo Financial Times, atinge apenas vistos de imigração, destinados a quem pretende se estabelecer no país, sem indicação até agora de que vistos de turismo sejam afetados. Procurada pela Folha, a embaixada dos EUA em Brasília não respondeu até a publicação da reportagem.

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