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Enviados de Trump chegam a Kiev com plano de paz e terminam rodada sem acordo

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A diplomacia americana transferiu neste domingo (6) o centro das negociações da guerra na Ucrânia de Moscou para Kiev. O enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro e conselheiro do presidente Donald Trump, reuniram-se com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na primeira visita da dupla à capital ucraniana desde a invasão russa em larga escala, em 2022. Segundo a CNN Brasil e a Folha de S.Paulo, as rodadas terminaram sem decisão concreta, embora os dois lados tenham feito declarações otimistas. Na sexta-feira (4), Trump chamou os dois de "grandes negociadores" e disse que eles levavam "uma proposta para acabar com a guerra".

As conversas entre americanos e ucranianos foram concluídas na noite de domingo, após duas rodadas, seguidas de uma terceira com a presença de representantes da França, do Reino Unido e da Alemanha, segundo a CNN Brasil. Zelensky classificou o encontro como "muito produtivo", citou garantias econômicas e de segurança e o fornecimento de mísseis de defesa aérea, disse esperar uma reunião trilateral com americanos e russos e afirmou que "nossas propostas estão prontas". Um funcionário da Casa Branca afirmou que os dois lados "discutiram planos concretos para os próximos passos, que serão anunciados nas próximas semanas".

"Queremos evitar a perda de vidas, queremos que esta guerra termine de forma justa para todos nós e queremos que ela termine de tal maneira que a agressão da Rússia contra a Ucrânia nunca mais se repita", disse Zelensky em coletiva de imprensa após a primeira rodada.

Para o Brasil, o formato da negociação pesa no comércio e na diplomacia. A Rússia está entre os principais fornecedores de fertilizantes do agronegócio brasileiro, e um acordo que reduza a incerteza da guerra tende a aliviar preços de insumos, energia e alimentos nos mercados internacionais. No plano político, uma paz costurada diretamente entre Washington e Moscou, com a Europa chamada à mesa apenas na rodada final, aperta as iniciativas de mediação do Sul Global, como a saída negociada que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu desde 2023, ao lado da China, às vésperas da eleição presidencial de outubro.

O que cada lado quer

Os interesses na mesa são distintos. Trump prometeu durante a campanha encerrar o conflito "em 24 horas", enfrenta queda na aprovação e opera sob o calendário das eleições legislativas americanas de novembro. A Ucrânia pede sistemas antimísseis, ajuda econômica e garantias de que a agressão russa não voltará a ocorrer. A Rússia exige o reconhecimento das quatro províncias que tenta ocupar, ponto rejeitado por Kiev, e a garantia de que o país não entrará na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Para o analista internacional Lourival Sant'Anna, da CNN, a questão da OTAN parece negociável; segundo ele, a dupla americana, formada por empresários do setor imobiliário, adota abordagem transacional, com incentivos econômicos e ameaças de sanções aos dois lados.

Otimismo com ressalvas

Em Moscou, o assessor do Kremlin Yuri Ushakov descreveu as três horas de conversas de sábado (5), seguidas de jantar, como "úteis e construtivas", e disse que os americanos apresentaram "toda uma série de considerações sobre possíveis caminhos para um acordo", com o compromisso de levar a Kiev "as observações e avaliações" recebidas pessoalmente do presidente russo, Vladimir Putin. O chefe do fundo soberano russo, Kirill Dmitriev, chamou a visita de "importante visita de promoção da paz". Ao abrir o encontro, Putin reconheceu que a situação "não é simples" e pediu que os enviados levassem seu agradecimento a Trump. Já o porta-voz Dmitry Peskov minimizou expectativas ao lembrar que o próprio Trump admitiu não haver ideias novas, e o vice-ministro Sergei Ryabkov cobrou que Washington considere as "realidades no terreno", onde as forças russas avançam gradualmente na região oriental de Donetsk, segundo a agência estatal russa Tass.

A violência seguiu como pano de fundo. A trégua de 72 horas, iniciada na virada de sexta para sábado, suspendeu apenas os ataques às capitais dos dois países: na noite de sábado para domingo, a Rússia lançou 108 drones Shahed e atingiu 11 localidades, com dez civis mortos e 65 feridos em 24 horas, segundo a Força Aérea da Ucrânia. Mísseis russos atingiram dois aeroportos próximos de Kiev, incluindo Boryspil, e Zelensky reclama de escassez crítica de interceptadores de defesa aérea. Antes das conversas, Witkoff, que já se reuniu com Putin ao menos oito vezes desde o início da guerra, e Kushner, com pelo menos três encontros, visitaram a Catedral de Santa Sofia, tombada como patrimônio mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e danificada por ataques recentes.

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