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Irã chama sanções dos EUA de 'crime contra a humanidade' e pede medidas à ONU

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BAPor Beatriz Antunes•30 de agosto de 2026•Fontes: CNN Brasil, Poder360, Canal Rural

O governo do Irã classificou nesta sexta-feira (28) as novas sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos como "crime contra a humanidade" e "terrorismo de Estado", pediu medidas à Organização das Nações Unidas (ONU) e prometeu reagir. As informações são do Poder360, a partir de reportagem da agência Reuters.

A ofensiva americana começou na segunda-feira (24), quando o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos lançou a operação Exilados Econômicos, apresentada como um "Dia D econômico" para cortar as fontes de financiamento do governo iraniano e da Guarda Revolucionária Islâmica, a força militar de elite do regime. A ação sancionou quase 60 pessoas, empresas e embarcações ligadas aos setores de petróleo, mísseis, tecnologia nuclear, ciberatividade e transporte, além de redes usadas para driblar sanções anteriores. Na mesma semana, o Tesouro puniu o banco estatal egípcio Banque Misr por negociar com o Irã, restringindo suas operações em dólares nos Emirados Árabes Unidos.

Sanções secundárias alcançam parceiros, e o Brasil observa

Washington avisou que países que mantiverem laços comerciais com o Irã também podem ser alvo de sanções, o que espalha o efeito das medidas para além de Teerã. O recado interessa a parceiros como o Brasil: o Irã, que entrou para o Brics em 2024, é destino de milho e soja brasileiros, comércio que veículos especializados do agronegócio, como o Canal Rural, já acompanham sob alerta desde o início da guerra. Uma escalada das sanções secundárias tende a encarecer o pagamento e o transporte dessas exportações, mesmo sem proibição formal.

Dentro do Irã, a pressão já aparece nos números. A inflação anual atingiu 66% em julho, segundo a Reuters, e o comércio exterior do país caiu quase 35% por causa das sanções e do bloqueio naval, de acordo com o presidente Masoud Pezeshkian. Diante do risco de protestos, o líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, proibiu atos populares que possam prejudicar a "coesão social", pediu ao governo medidas para conter os impactos econômicos da guerra e orientou autoridades a evitar declarações que estimulem manifestações.

Pressão máxima em vez de acordo

As novas medidas se somam a uma teia de restrições acumulada desde 1979, ano da crise dos reféns na embaixada americana em Teerã, como detalha a CNN Brasil. O acordo nuclear de 2015, o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês), suspendeu a maior parte das penalidades, mas Trump retirou os Estados Unidos do entendimento em 2018, e as sanções da ONU foram reimpostas no ano passado pelo mecanismo conhecido como snapback. Segundo a emissora, desmontar essa arquitetura levaria anos mesmo com um acordo abrangente. Com a ofensiva desta semana, o governo Trump sinaliza que aposta na pressão econômica máxima para moldar as negociações sobre o programa nuclear iraniano, enquanto Teerã apela à ONU e promete resposta.

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