O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu temporariamente os agendamentos de entrevistas para vistos de imigrantes em embaixadas e consulados americanos em todo o mundo, incluindo o Brasil. Segundo o Poder360, o Departamento de Estado americano informou que a pausa vai permitir um treinamento global de funcionários consulares, sem precisar quando os atendimentos serão retomados. A medida atinge exclusivamente os vistos de imigrantes, destinados a quem pretende residir permanentemente no país, e não afeta vistos de turismo.
A pausa chega poucos dias depois de uma derrota judicial do governo americano. Na sexta-feira, 21 de agosto, a juíza federal Jeannette Vargas, de Nova York, anulou uma suspensão anterior da emissão de vistos de imigrantes para cidadãos de 75 países, entre eles o Brasil, por entender que o secretário de Estado, Marco Rubio, havia excedido sua autoridade ao impor as restrições. Essa política, adotada em janeiro deste ano, baseava-se em regras sobre estrangeiros que poderiam se tornar um "encargo público" para os cofres americanos, ou seja, dependentes de benefícios sociais do governo.
O que muda para o Brasil
Como um dos países cujos cidadãos já haviam sido alvo da tentativa de restrição derrubada na Justiça, o Brasil está diretamente exposto à nova pausa, que agora tem alcance mundial e uniforme. Segundo a CNN Brasil, brasileiros que já tinham entrevistas marcadas começaram a receber e-mails informando que a data seria remarcada, sem indicação de nova data. O especialista em Direito Internacional Daniel Toledo disse à emissora que quem já organizou a vida em torno do agendamento, incluindo compra de passagens, não tem recurso legal para contestar o cancelamento. "O único recurso que a pessoa tem é Deus", afirmou.
O Departamento de Estado afirmou ao jornal britânico Financial Times que o treinamento busca preparar os agentes consulares para avaliar, de forma "abrangente e consistente", se os solicitantes de visto têm probabilidade de se tornar dependentes de assistência pública. "Uma América mais próspera significa garantir que os solicitantes de visto não tenham probabilidade de se tornar um encargo público", disse um porta-voz da pasta ao jornal. Toledo especula que a pausa também pode ser uma resposta tática à derrota na Justiça: ao suspender os agendamentos para todos os países, o governo evita a acusação de discriminar nacionalidades específicas enquanto reorganiza os critérios de análise.
A pausa se soma a um conjunto mais amplo de restrições migratórias adotadas pela administração Trump desde o início do segundo mandato do republicano, que incluem exigência de perfis abertos em redes sociais para vistos de estudante, medida depois estendida a jornalistas, além de revogações de vistos e green cards. O governo também se prepara para revogar vistos de negócios e turismo de até 200 mil estrangeiros que entraram nos EUA com vistos B1 ou B2 e depois solicitaram asilo, uma medida que, se confirmada, seria a maior revogação em massa de vistos da história do país.
O pano de fundo econômico dá peso à discussão. Segundo estimativas do Instituto Brookings citadas pela CNN Brasil, os Estados Unidos registraram em 2025, pela primeira vez em cerca de 50 anos, um saldo negativo de entrada de imigrantes, com mais pessoas deixando o país do que chegando. O mesmo instituto projeta uma perda de aproximadamente US$ 1,9 trilhão em bens e serviços até 2028 em razão da redução da força de trabalho estrangeira, um dado que alimenta a pressão política sobre o Congresso americano às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato.