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Irã ataca bases dos EUA e diz que petroleiros colidiram com minas em Ormuz

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BAPor Beatriz Antunes•2 de setembro de 2026•Fontes: CNN Brasil, g1

O Irã atacou instalações militares dos Estados Unidos em quatro países do Oriente Médio entre a terça-feira (1º) e a madrugada desta quarta (2), em retaliação a uma nova onda de bombardeios americanos contra alvos iranianos no Estreito de Ormuz. É a primeira retomada dos confrontos em mais de um mês e, na mesma escalada, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que dois petroleiros "explodiram e ficaram em chamas" após colidirem com minas navais no estreito, uma das principais rotas do petróleo mundial.

Segundo o g1, a Guarda usou mísseis e drones contra bases americanas no Bahrein, na Jordânia, no Kuwait e no Iraque, com um "ataque combinado" contra Erbil, na região autônoma do Curdistão iraquiano. As Forças Armadas da Jordânia relataram 13 mísseis balísticos violando seu espaço aéreo: dez foram interceptados e três caíram em áreas remotas, sem vítimas. Kuwait e Bahrein ativaram defesas aéreas, e os bombeiros do Kuwait controlaram um incêndio em um complexo residencial da capital, também sem feridos. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou que sua ofensiva visou "sistemas de defesa aérea, radares, ativos e instalações marítimas, capacidades de colocação de minas e instalações de comunicação" ligados à Guarda, em resposta a tentativas iranianas de atacar "navios comerciais no Estreito de Ormuz e tropas americanas mobilizadas na região".

Para o Brasil, o efeito mais imediato vem do preço. Os contratos futuros de petróleo subiram acima de US$ 94 por barril depois do anúncio dos bombardeios, segundo a CNN Brasil. O país exporta mais óleo do que importa, por causa do pré-sal, e capta preços globais mais altos em suas vendas externas; ao mesmo tempo, é comprador líquido de diesel e de gás de cozinha, e um choque prolongado encarece esses importados e pressiona os combustíveis, que pesam no IPCA, o índice oficial de inflação, num momento em que o Banco Central mantém a taxa básica de juros em 14% ao ano.

Os interesses em jogo

Washington busca o controle da passagem. Donald Trump escreveu na rede social Truth Social que não está "tentando forçar o Irã a voltar à mesa de negociações" e que prefere a posição atual, "com controle quase total do Estreito de Ormuz e a economia deles entrando em colapso total". Ele chegou a sugerir rebatizar a rota de "Estreito de Trump", segundo o g1. Teerã usa a ameaça de fechar o estreito como principal alavanca e rejeitou uma proposta de Omã para gestão conjunta da via, noticiou a CNN Brasil. Bahrein, Kuwait e Jordânia, anfitriões ou vizinhos de bases americanas, tentam se proteger do fogo cruzado.

"Eles serão atingidos novamente em um nível muito mais duro e elevado, mas não será o maior de todos os ataques, que está esperando nos bastidores e, quando terminar, restará muito pouco da República Islâmica do Irã" (Donald Trump, na rede social Truth Social)

Os bombardeios americanos atingiram, entre outros pontos, as cidades portuárias de Chabahar e Konarak, no Golfo de Omã, e o polo de gás e petroquímica de Asaluyeh, segundo a imprensa estatal iraniana citada pela CNN Brasil. Teerã afirma que estilhaços de um dos ataques atingiram uma festa de casamento na vila costeira de Kouhestak, no condado de Sirik, deixando ao menos quatro mortos, entre eles uma criança de 4 anos, e 68 feridos, segundo a emissora estatal Press TV. Os EUA negam o bombardeio, e o g1 aponta que a magnitude da retaliação iraniana pode estar ligada a essas mortes. O Irã prometeu resposta "devastadora".

Relato sem confirmação independente

Sobre os petroleiros, a versão é, por enquanto, exclusivamente iraniana. A Guarda disse que os dois navios pediram ao Exército dos EUA para transitar por uma rota "ilegal", não aprovada pelo regime, que a Marinha iraniana já havia alertado sobre a área minada e que as embarcações ficaram em chamas; a CNN Brasil relata que os navios ficaram paralisados e com as tripulações retiradas. Até a última atualização do g1, autoridades marítimas não haviam confirmado o incidente. A agência de monitoramento UKMTO (United Kingdom Maritime Trade Operations) e o grupo de inteligência marítima Marisks já haviam registrado dois navios-tanque atingidos por projéteis desde domingo, e Trump afirmou no dia 25 de agosto que todas as minas iranianas em águas internacionais haviam sido removidas ou detonadas. O quadro lembra, em menor escala, a "guerra dos petroleiros" dos anos 1980, quando minas e ataques a navios no Golfo Pérsico levaram os EUA a escoltarem petroleiros kuwaitianos.

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