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Irã propõe reabrir Estreito de Ormuz em sete dias; Trump deve rejeitar, diz jornal

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BAPor Beatriz Antunes•26 de setembro de 2026•Fontes: O Globo, g1 Economia, g1

O Irã apresentou aos Estados Unidos, com mediação do Catar, um plano para reabrir o Estreito de Ormuz à navegação em até sete dias e retomar em seguida negociações sobre seu programa nuclear. O anúncio foi feito pelo chanceler Abbas Araghchi nesta sexta-feira (25), à margem da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York. Entre as condições estão o fim do bloqueio naval americano aos portos iranianos, o alívio das sanções sobre as vendas de petróleo, a liberação de ativos congelados estimados em ao menos US$ 12 bilhões (cerca de R$ 62 bilhões) e um cessar-fogo que alcance também o Líbano.

Pela proposta, todas as hostilidades no Oriente Médio seriam suspensas durante os sete dias e o estreito seria reaberto no último deles, com conversas nucleares começando imediatamente depois. Segundo o g1, Araghchi disse que Teerã apresentou sete condições e que a decisão "agora cabe aos Estados Unidos". A agência japonesa Kyodo noticiou a existência do plano na terça-feira (23), citando uma autoridade iraniana, mas a imprensa local negou a informação até a confirmação oficial. O desenho comprime em uma semana etapas que tinham prazo de 60 dias no memorando assinado em junho pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian, que fracassou semanas depois, por interpretações divergentes dos termos e pela retomada dos combates. A guerra começou no fim de fevereiro, com ataques de EUA e Israel que mataram o líder supremo Ali Khamenei, e chega a quase sete meses.

"O Irã transmitiu aos Estados Unidos, por meio do Catar, um plano concreto de sete dias. Se as condições necessárias forem cumpridas, o estreito poderá ser reaberto e o trânsito marítimo habitual restabelecido em sete dias", declarou Araghchi na sede da ONU.

O que muda para o Brasil

Para o Brasil, Ormuz chega pelo preço do combustível. Antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás comercializados no mundo passava pela rota, e o fechamento levou o barril a superar US$ 100 no início do conflito, maior patamar desde fevereiro de 2022. A cotação recuou, mas segue volátil: em julho, o Brent chegou a US$ 86,47 depois que Trump afirmou que os EUA pretendem controlar a passagem e cobrar taxa de 20% sobre as cargas. Como a Petrobras abandonou a paridade de importação em 2023 e repassa os reajustes de forma gradual, parte do choque é absorvida: em março, a gasolina média custava R$ 6,30 por litro, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), com a estatal respondendo por cerca de 29% do preço final e por 46% no caso do diesel. "Se o petróleo permanecer em nível elevado por muito tempo, a Petrobras tende a reajustar os preços para recuperar margens", diz Marcos Bassani, da Boa Brasil Capital, ao g1. Um acordo que reabrisse o estreito aliviaria a pressão sobre combustíveis, frete e inflação.

Quem quer o quê

O nó está em Washington. Segundo o The Wall Street Journal, Trump disse à equipe, em conversas privadas, que considera provável uma nova campanha de bombardeios: deve rejeitar o plano e retomar os ataques após as eleições de meio de mandato de novembro, quando os americanos escolhem toda a Câmara dos Representantes e parte do Senado, hoje controlados pelos republicanos. Na ONU, Trump ameaçou o Irã com a "aniquilação" caso não haja acordo, e Pezeshkian respondeu que o país não vai se "ajoelhar". Araghchi avaliou que "seria melhor" fechar um acordo antes da votação. Uma autoridade americana ouvida por O Globo diz que as conversas por mediadores são positivas e construtivas, mas que Washington não quer se precipitar; o próprio Trump afirma não ter pressa, apesar dos preços elevados. A gasolina pesa na eleição: em julho, a média nacional nos EUA era de US$ 3,84 por galão, segundo a AAA, após pico de US$ 4,56 em maio. Para Gunter Rudzit, professor de relações internacionais da ESPM, Teerã mira justamente nessa sensibilidade do consumidor americano, inclusive na base eleitoral de Trump.

A China, segundo Araghchi, apoia a proposta. Pequim é a maior compradora do petróleo iraniano, com cerca de 80% das exportações, sustentadas por um pacto estratégico de 25 anos assinado em 2021. Com o bloqueio, os envios diários ao país asiático caíram de 1,57 milhão de barris, em fevereiro, para pouco mais de 500 mil em agosto, segundo a consultoria Kpler. Durante a visita de Estado que encerrou nesta sexta, Trump alertou o presidente Xi Jinping de que "qualquer ajuda" ao Irã, militar ou de inteligência, "seria totalmente inaceitável", relatou o embaixador americano na China, David Perdue. No Golfo, a Arábia Saudita está cética quanto ao acordo, segundo a Associated Press, depois que rebeldes houthis tomaram a costa iemenita do Mar Vermelho e um oleoduto saudita foi atacado. À AFP, o porta-voz da Guarda Revolucionária, Hossein Mohebi, citou o fim das hostilidades no Iêmen entre as exigências iranianas.

O próximo passo é uma resposta formal dos EUA. Araghchi apresentou o plano ao enviado americano Steve Witkoff e a Jared Kushner, genro de Trump, na terça-feira (23), em encontro mediado pelo Catar que definiu como "produtivo"; o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Ismaeil Baghaei, sinalizou novas reuniões mediadas. Em entrevista à Fox News, Pezeshkian disse que "quando as coisas podem ser resolvidas por meio do diálogo, não deveríamos nos matar", e cobrou: "Por que, apenas duas semanas após a assinatura de um acordo, eles decidiram implodi-lo?". O presidente iraniano afirmou ainda que está disposto a negociar "antes ou depois" das eleições americanas.

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