A Rússia lançou na madrugada desta quinta-feira (27) uma nova ofensiva em larga escala com mísseis e drones contra a Ucrânia, atingindo a capital, Kiev, e outras cidades do país, segundo autoridades ucranianas ouvidas pelo G1. De acordo com a Força Aérea da Ucrânia, o ataque envolveu dois mísseis de cruzeiro antinavio Oniks, 258 drones e uma quantidade não informada de mísseis balísticos. Os militares ucranianos afirmaram ter derrubado quase 90% dos drones, além de um míssil Oniks e sete mísseis balísticos. O UOL também noticiou a ofensiva, descrita como um "ataque massivo" contra nove cidades ucranianas.
Em Kiev, destroços de mísseis e drones interceptados caíram em dois distritos, danificando uma escola e quebrando janelas de uma unidade de saúde, segundo o prefeito Vitali Klitschko; na região metropolitana, duas pessoas ficaram feridas. Em Odessa, porto estratégico no Mar Negro, os bombardeios duraram quase toda a noite e atingiram infraestrutura, uma instituição de ensino e um prédio residencial, com três feridos. Houve ainda impactos em Poltava, onde sete localidades ficaram sem energia elétrica; em Kryvyi Rih, cidade natal do presidente ucraniano, com três feridos; e em Zaporizhzhia, no sul, com outros três feridos, segundo autoridades regionais citadas pelo G1.
Para o Brasil, a ofensiva tem desdobramentos econômicos e diplomáticos. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, afirmou que os ataques atingiram portos, armazéns de grãos e instalações de energia, alvos que mantêm sob pressão o comércio de alimentos no Mar Negro. O Brasil, uma das maiores potências agrícolas do mundo, importa a maior parte dos fertilizantes que consome, e a Rússia está entre seus principais fornecedores, o que faz de cada escalada da guerra um risco para custos e preços no campo brasileiro. No plano diplomático, o governo brasileiro segue com sua posição de neutralidade e a defesa de uma saída negociada, postura testada a cada nova rodada de bombardeios.
Do lado ucraniano, o presidente Volodymyr Zelensky disse que países europeus adotaram nesta semana medidas para reforçar a defesa aérea do país e voltou a pedir mais apoio militar. A Ucrânia enfrenta escassez de interceptadores do sistema Patriot, de fabricação americana, considerados essenciais para derrubar mísseis balísticos. "Tudo o que fortalece a proteção dos nossos céus salva vidas de ucranianos todos os dias", escreveu Zelensky nas redes sociais, ao informar que o país recebeu um novo lote, embora pequeno, de interceptadores. Na Europa, o debate avança em paralelo: quatro países da União Europeia voltaram a propor o uso de bilhões de euros em ativos russos congelados para financiar a Ucrânia, segundo o portal Terra.
Versões em disputa e pressão no leste
Moscou apresentou uma versão diferente para a ofensiva. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que os ataques tiveram como alvo instalações do complexo industrial-militar ucraniano, empresas metalúrgicas, refinarias de petróleo, centros logísticos e estruturas portuárias em Odessa usadas para apoiar as Forças Armadas da Ucrânia. Durante a noite, cinco drones entraram no espaço aéreo da Moldávia, segundo o governo moldavo, episódio que reacende o temor de que a guerra ultrapasse as fronteiras ucranianas.
No front terrestre, a pressão russa segue concentrada no leste. O chefe do Estado-Maior russo, Valery Gerasimov, afirmou que as tropas de Moscou estão a cerca de quatro quilômetros da periferia leste de Sloviansk, cidade estratégica da região de Donetsk que o presidente Vladimir Putin pretende controlar, informou o G1.