Centros de sismologia da Europa e da China registraram nesta quinta-feira (27) um terremoto no Tibete, região chinesa que, ao lado do Nepal, foi atingida um dia antes por uma enchente que deixou pelo menos 395 mortos e mais de mil desaparecidos. Segundo o Centro Alemão de Pesquisa em Geociências (GFZ), o abalo teve magnitude 5 e ocorreu a dez quilômetros de profundidade, com epicentro na região de Nagqu, no norte do Tibete, a centenas de quilômetros da faixa de fronteira castigada pelas águas.
Há divergência sobre a intensidade do tremor. Enquanto o GFZ aponta magnitude 5,0, o centro de monitoramento de terremotos da China, órgão ligado à defesa civil do país, registrou 4,7, de acordo com a agência estatal de notícias Xinhua, citada pela Folha de S.Paulo e pelo InfoMoney. Até o fechamento desta edição, não havia confirmação oficial de vítimas ou danos provocados pelo terremoto.
Para o Brasil, o interesse no episódio é sobretudo indireto. A China é o principal parceiro comercial do país e integra, ao lado do Brasil, o Brics, bloco que reúne também Rússia, Índia e África do Sul e que tem ampliado a cooperação em gestão de riscos climáticos. Há ainda um paralelo doméstico preciso: a inundação no Himalaia ocorre pouco mais de dois anos depois da tragédia no Rio Grande do Sul, em 2024, quando enchentes deixaram mais de 180 mortos e colocaram a adaptação a eventos climáticos extremos no centro do debate público brasileiro.
Enchente deixou vilarejos submersos e resgate por helicóptero
A enchente de quarta-feira (26) foi provocada pelo desabamento de gelo, lama e rochas, que formou uma inundação repentina na fronteira entre Nepal e China, segundo o InfoMoney. Do total de mortes confirmadas, 392 foram registradas no Nepal, segundo as autoridades locais, e três no lado chinês, de acordo com a imprensa estatal. Povoados inteiros ficaram submersos em lama, e mais de mil pessoas seguem desaparecidas, entre elas centenas de estrangeiros, já que a área é popular entre praticantes de trekking.
As autoridades do Nepal usaram helicópteros para procurar sobreviventes e lançar suprimentos de emergência a milhares de pessoas isoladas em cidades e vales, informou a Folha. Do lado chinês, o bloqueio de um rio formou um lago de contenção que passou a ser monitorado diante do risco de rompimento. O Ministério de Recursos Hídricos da China enviou uma equipe de especialistas ao condado de Gyirong e orientou autoridades locais a acompanhar o lago e as chuvas, segundo a Xinhua. Pequim ativou no Tibete o plano de resposta a enchentes de nível IV, o mais baixo da escala chinesa de emergência.
A sequência de desastres expõe a vulnerabilidade do Himalaia, cadeia montanhosa que concentra alguns dos picos mais altos do mundo e corta a fronteira entre China e Nepal. Além de zona de intensa atividade sísmica, a região enfrenta o recuo de geleiras, fenômeno que aumenta o risco de rompimento de lagos glaciais e de inundações repentinas como a desta semana.