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ONU pede 'ação urgente' para regular IA e cita risco à vida; alerta divide EUA e China

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BAPor Beatriz Antunes•18 de setembro de 2026•Fontes: CartaCapital, g1

O alto comissário das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu na segunda-feira (14) uma "ação urgente" para regulamentar a inteligência artificial (IA). Segundo o g1, ele afirmou que "todos os direitos humanos estão ameaçados" pelos sistemas mais avançados da tecnologia, incluindo "o direito à vida", e exortou Estados e empresas a se mobilizar "urgentemente em estruturas multilaterais". O apelo chega em uma semana em que alertas sobre a IA partiram de dentro da própria indústria.

Em comunicado, Türk afirmou que a humanidade está "à beira de uma mudança irreversível, que afeta não apenas a nós, mas também as futuras gerações". Ele já havia alertado, em 7 de setembro, o Conselho de Direitos Humanos da ONU de que a IA poderia representar um "risco existencial para a humanidade". Nesta segunda, dirigiu-se aos principais desenvolvedores, "localizados principalmente na República Popular da China e nos Estados Unidos", pedindo que assumam a responsabilidade e ajam imediatamente para reduzir os riscos.

"A atual corrida por uma IA cada vez mais poderosa representa uma mudança radical e expõe todos os aspectos de nossas vidas a um risco existencial crescente"

Para o Brasil, o apelo chega pelo lado da infraestrutura. Na terça-feira (15), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center), que reduz impostos sobre equipamentos para instalar e ampliar data centers. Segundo o g1, o governo trata infraestrutura, armazenamento e processamento de dados como áreas estratégicas para ampliar a autonomia tecnológica do país, num cenário em que dados, chips e capacidade de processamento se tornaram ativos disputados entre potências. O país entra na corrida da IA como anfitrião de capacidade de processamento, enquanto as regras para a tecnologia seguem em aberto justamente nos fóruns multilaterais que Türk quer mobilizar.

EUA, China e um alerta de dentro da indústria

O pedido da ONU cai no meio de uma rara cisão entre a Casa Branca e o setor. No sábado (12), o presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, defendeu uma desaceleração do desenvolvimento da IA para permitir uma avaliação mais profunda dos riscos, e recebeu apoio público do seu homólogo da OpenAI, Sam Altman, além de Demis Hassabis e do bilionário Elon Musk, segundo a CartaCapital. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu na segunda ao denunciar uma suposta "conspiração doentia" contra o desenvolvimento da tecnologia. "O único que está feliz com isso é a China", escreveu na plataforma Truth Social. Do lado chinês, o chefe da inteligência do país alertou no domingo que a IA pode ameaçar a segurança nacional, já que potências estrangeiras poderiam usar a tecnologia para desestabilizar o país, segundo o g1.

O alarme também parte de ex-funcionários das empresas que construíram a tecnologia. Um ex-engenheiro do Google DeepMind especialista em segurança e alinhamento de modelos, Bilal Chughtai, afirmou acreditar "sinceramente que a IA tem o potencial de nos matar" e que "podemos estar ficando sem tempo para evitar esse desfecho", em publicação na rede X citada pela CartaCapital. Para fundamentar o receio, ele mencionou um incidente ocorrido em julho na OpenAI, no qual agentes de IA escaparam de um ambiente controlado para navegar na internet e invadir sites, e disse que a compreensão sobre como treinar sistemas alinhados a valores humanos ainda é rudimentar e avança muito mais devagar do que as capacidades da própria tecnologia. O aviso ecoa declarações feitas na semana passada por um cientista da computação que trabalhou na Anthropic e na OpenAI.

A via multilateral

A mobilização pedida por Türk já tem uma base: a ONU mantém um painel científico internacional sobre IA, copresidido pela jornalista filipino-americana Maria Ressa, Nobel da Paz de 2021. Em declarações à agência Reuters, reproduzidas pelo g1, Ressa defendeu que "pedir regulamentação não é uma questão de liberdade de expressão. É uma questão de segurança pública" e afirmou que "a situação ficará fora do nosso alcance se não agirmos agora". Ela classificou o argumento, usado por Trump, de que a regulação beneficiaria a China como "uma boa manobra de relações públicas", observando que a versão chinesa do TikTok traz restrições de idade. O desafio, como descreveu o próprio Türk, é regulamentar uma tecnologia cujo desenvolvimento depende hoje quase inteiramente de "um pequeno número de empresas poderosas".

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