O presidente da China, Xi Jinping, anunciou neste domingo (13), no encerramento da cúpula anual do Brics em Nova Délhi, que a China vai liderar a criação de um sistema de inteligência artificial (IA) de código aberto para uso e desenvolvimento conjunto dos países do bloco. Segundo a CNN Brasil, quase todo o discurso do líder chinês foi dedicado a ideais de desenvolvimento tecnológico, sinal claro de que o tema deve dominar a presidência do grupo que o país assumirá em 2027.
A promessa, feita no segundo e último dia do encontro, tem como alvo todos os países do grupo, inclusive os parceiros, segundo Xi em discurso citado pela CNN Brasil:
"Criar uma comunidade de IA de código aberto do Brics, apoiar a cooperação no desenvolvimento e na aplicação de grandes modelos de linguagem, realizar seminários especializados e cursos de treinamento em IA e construir um ecossistema aberto para a IA."
A agência Reuters, em reportagem publicada pela Agência Brasil, registrou o mesmo compromisso como uma "Zona de Código Aberto de IA do Brics", voltada para cooperação em grandes modelos de linguagem, treinamento e ecossistema aberto. O anúncio chega no auge da disputa entre Pequim e Washington pela liderança da inteligência artificial, com abordagens distintas entre os dois países. Os dois governos já tomaram medidas para limitar a transferência de tecnologia entre si, e a China concentra praticamente o monopólio dos minerais críticos usados nas tecnologias de ponta.
Para o Brasil, um dos cinco membros fundadores do bloco ao lado de Rússia, Índia, China e África do Sul, a oferta desenha um caminho próprio em um campo dividido entre as duas maiores potências tecnológicas. Xi prometeu intercâmbio tecnológico, alinhamento industrial, uma plataforma em nuvem de ecossistema digital do Brics e os cursos de treinamento em IA. A promessa, por ora, não tem cronograma nem produtos nomeados: nenhuma das reportagens cita datas, orçamento ou modelos específicos.
O mapa de interesses
A cúpula de Nova Délhi expôs prioridades diferentes dentro do grupo. A Índia, anfitriã do encontro e responsável pela presidência rotativa de 2026, defendeu que as soluções criadas no Brics sirvam a todo o Sul Global, e não apenas aos membros: o primeiro-ministro Narendra Modi criticou, sem citar nomes, nações que tentam transformar tecnologia e minerais críticos em armas comerciais e diplomáticas, o que poderia, segundo ele, acabar com o progresso e a prosperidade dos países. A Rússia pediu mais integração e uma reforma da governança global, posição que a CNN Brasil relaciona às sanções ocidentais impostas ao Kremlin; o presidente Vladimir Putin chamou o Brics de força motriz de uma ordem mundial mais justa e multipolar.
A China, que assume a presidência em 2027, colocou a cooperação prática no centro da agenda. Além da IA, Xi propôs uma parceria para Zonas Econômicas Especiais entre os países do grupo, anunciou que o país sediará um Fórum de Comércio de Serviços do Brics no próximo ano e pediu estabilidade nas cadeias industriais e de abastecimento, com a construção de um mercado integrado, segundo a Reuters.
Um bloco ampliado
O Brics já não é o grupo das cinco economias emergentes de duas décadas atrás, criado para contrapor-se a uma ordem mundial dominada pelos Estados Unidos. Entraram Irã, Indonésia, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos, e dez países parceiros da Ásia, da África, da América Latina e do Oriente Médio, entre eles Cuba, Malásia e Tailândia, participaram das discussões na capital indiana. No sábado (12), a cúpula chegou a um consenso sobre uma declaração conjunta que expressa profunda preocupação com a escalada no Oriente Médio e pede máxima moderação.