A aprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, caiu para 33%, o menor patamar já registrado pela série de pesquisas que o jornal britânico Financial Times mantém com o instituto Focaldata desde maio. O levantamento, divulgado no sábado (5), mostra uma queda de 3 pontos percentuais em relação à rodada anterior e chega a menos de dois meses das eleições de meio de mandato de novembro, em que serão disputados todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes e parte do Senado americano.
O desgaste está concentrado na economia. Quase dois terços dos eleitores ouvidos dizem que a economia americana caminha na direção errada, e 57% afirmam que sua situação financeira piorou desde que Trump voltou à Casa Branca, contra 53% na pesquisa anterior. A pressão aparece nos gastos do dia a dia, sobretudo combustíveis e alimentos. O paralelo histórico é direto: a inflação corroeu o governo Joe Biden e ajudou a abrir caminho para o retorno de Trump, que prometeu reduzir o custo de vida e ainda não entregou essa melhora.
O que muda para o Brasil
Para o Brasil e para a América Latina, as variáveis mais relevantes são o calendário e o canal comercial. Um presidente com aprovação em queda e um Congresso em disputa tende a concentrar capital político na agenda doméstica. O teste imediato é a política tarifária: segundo a pesquisa, 56% dos eleitores registrados desaprovam a tarifa de 50% aplicada sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses, e o Canadá respondeu com tarifas próprias, elevando custos para consumidores nos dois países. Exportadores brasileiros que dependem do mercado americano acompanham esse cenário de perto, porque um Trump enfraquecido pode tanto buscar acordos rápidos quanto endurecer o protecionismo, dependendo do resultado de novembro. O Brasil também vota em outubro, e o caso americano mostra o peso que o custo de vida pode ter nas urnas.
Guerra com o Irã, base republicana e as eleições
A análise internacional do G1, assinada por Guga Chacra, associa a queda à guerra entre os Estados Unidos e o Irã, um conflito que o próprio Financial Times já vinha medindo como fator de desgaste: uma pesquisa do jornal em julho apontava o conflito puxando a aprovação do presidente para baixo antes das eleições de novembro. O Irã prometeu uma reação "rápida e dolorosa" a novos ataques americanos, segundo o Poder360, e o jornal britânico reportou em 1º de setembro que os preços do diesel subiam nos EUA com a escalada do conflito.
Mesmo a base republicana sente o desgaste. Entre eleitores do partido, a aprovação de Trump caiu para 72%, mais de dois pontos abaixo da rodada anterior e o menor nível da série para esse grupo. Na avaliação específica de empregos e economia, o índice entre republicanos caiu para 53%, quase 8 pontos menos que no mês anterior.
Os números projetam um novembro difícil para o Partido Republicano. Na chamada votação genérica para o Congresso, os democratas abrem 7,5 pontos de vantagem, contra 5 pontos na pesquisa anterior. Ao todo, 46% dos eleitores dizem que a presença de Trump torna mais difícil a vitória de candidatos republicanos, enquanto 17% dizem que ela ajuda; entre independentes, 53% enxergam prejuízo. Um eventual endosso presidencial a um candidato ao Congresso afasta mais do que atrai: 43% dizem que ficariam menos propensos a votar nesse candidato, contra 23% mais propensos.