arrow_backVoltar
Economyunited-statestradetariffsdiplomacy

Governo Lula projeta negociação longa com EUA e vê alívio tarifário distante

bookmark_borderSalvar
BAPor Beatriz Antunes•27 de agosto de 2026•Fontes: G1 Política, G1

A ofensiva tarifária de Washington contra múltiplos parceiros comerciais volta a ditar o ritmo das relações bilaterais no continente americano. Ao recorrer a investigações setoriais para impor sobretaxas unilaterais, o governo do presidente americano Donald Trump busca pressionar contrapartes a abrir mercados para manufaturas e produtos agrícolas dos Estados Unidos, além de exigir concessões em regulação digital.

Nesse tabuleiro de interesses, a Casa Branca utiliza barreiras alfandegárias como instrumento direto de barganha, enquanto parceiros tentam preservar nichos de exportação e conter prejuízos a cadeias produtivas integradas. O foco de Washington recai sobre a remoção de tarifas estrangeiras a itens como o etanol de milho e a revisão de normas locais sobre plataformas digitais.

Para o Brasil, o impacto dessa estratégia se materializou em duas rodadas consecutivas de sobretaxas neste ano, que somam 37,5% sobre diversos bens nacionais, segundo apurou o portal G1. Embora produtos como café, petróleo e carne bovina tenham permanecido na lista de isenções, segmentos cruciais como calçados, madeira, máquinas e açúcar continuam sob a tributação máxima americana. Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que uma solução dificilmente ocorrerá antes do encerramento do calendário eleitoral de outubro.

A retomada formal do diálogo técnico está marcada para a próxima segunda-feira, 31 de agosto, em reunião virtual entre o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o titular do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer. O encontro ocorre após um telefonema de 80 minutos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Trump na semana anterior.

A estratégia de Brasília consiste em fatiar as conversas por setores, iniciando por bens de capital, setor automotivo e indústria química. No setor agrícola, o governo brasileiro sinaliza disposição para reduzir a tarifa de 18% sobre o etanol de milho americano caso os Estados Unidos elevem a cota de importação para o açúcar brasileiro, hoje limitada a 155 mil toneladas anuais sob tarifa reduzida.

Ao mesmo tempo em que aposta na via negociada para ampliar exceções, o governo federal mantém em andamento o processo administrativo para acionar a lei de reciprocidade comercial. Fontes da equipe econômica indicam que, sem avanços concretos nos próximos meses, o Brasil poderá formalizar tarifas retaliatórias contra exportações norte-americanas.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Faça login para comentar. Entrar