arrow_backVoltar
accidentinternationalpakistanpublic-health

Incêndio em ar-condicionado mata ao menos 14 recém-nascidos em maternidade de Islamabad

bookmark_borderSalvar
BAPor Beatriz Antunes•26 de agosto de 2026•Fontes: Geo News, Dawn, Al Jazeera

Um incêndio provocado por um curto-circuito no ar-condicionado da UTI neonatal do Instituto Paquistanês de Ciências Médicas (PIMS, na sigla em inglês), o maior hospital público de Islamabad, matou ao menos 14 recém-nascidos na madrugada desta quarta-feira (26), segundo reportagem da Al Jazeera com base em relatos de familiares e da administração do hospital, confirmada pelo jornal paquistanês Dawn. O berçário, que abrigava 15 bebês no momento do incêndio, ficava no terceiro andar da ala mais antiga da maternidade do hospital. Apenas um recém-nascido foi resgatado com vida.

Segundo o relato da Al Jazeera, o fogo começou por volta das 6h30 (horário local). Arif Rana, de 46 anos, dormia no gramado em frente à maternidade quando recebeu uma ligação avisando que um incêndio havia começado na ala onde sua irmã, que tinha dado à luz um dia antes, estava internada. Ele correu descalço para dentro do prédio e encontrou os corredores do terceiro andar escuros e sufocantes.

"Estava quente, e eu conseguia ouvir tanta gritaria e gritos de pânico, e eu nem conseguia enxergar por causa da escuridão", relatou Rana à reportagem. "A fumaça dificultava a respiração."

Embora o Paquistão e o Brasil tenham poucos laços diplomáticos diretos, a tragédia reacende um debate recorrente em hospitais ao redor do mundo sobre segurança contra incêndio e saídas de emergência bloqueadas, tema familiar no Brasil desde o incêndio da boate Kiss, em Santa Maria (RS), em 2013, quando portas trancadas transformaram o local em uma armadilha e mataram 242 pessoas. No Paquistão, testemunhas ouvidas pela Al Jazeera afirmaram que as saídas de emergência da ala estavam bloqueadas por dentro, embora um funcionário do hospital tenha dito à BBC que a porta não estava trancada, mas apenas guardada por seguranças. Moradores relataram ainda que obras de reforma vinham ocorrendo no prédio nas semanas anteriores ao incêndio, sem que ninguém soubesse detalhar o escopo dos trabalhos.

Relatos de fumaça e resgate

Equipes de resgate levaram cerca de dez minutos para chegar ao local após o primeiro chamado, por volta das 6h45, segundo a administração distrital de Islamabad. Um bombeiro da unidade de resgate Rescue 1122, que preferiu não se identificar por não estar autorizado a falar à imprensa, contou à Al Jazeera que a equipe teve de quebrar grades de concreto e depois janelas para conseguir entrar no prédio e retirar pessoas presas. Kamran Riaz, tio de uma das vítimas, disse que a filha do irmão, nascida havia apenas três dias e internada por problemas respiratórios, estava entre os 14 bebês mortos. "Não temos clareza sobre o que está acontecendo", afirmou Riaz, enquanto o irmão prestava amostra de DNA no necrotério do hospital.

Segunda tragédia semelhante em dois anos

Segundo múltiplos veículos paquistaneses, o primeiro-ministro Shehbaz Sharif determinou a abertura de uma investigação e afastou o secretário federal de Saúde, Aslam Ghouri, do cargo após o incêndio. Não é a primeira vez que uma falha no ar-condicionado de um hospital mata recém-nascidos no país: em junho de 2024, um incêndio semelhante no Hospital Sahiwal Teaching, na província de Punjab, matou 11 bebês. Na ocasião, a governadora de Punjab, Maryam Nawaz, determinou a prisão do superintendente médico do hospital e de três médicos seniores, depois que investigações constataram que os extintores de incêndio do local estavam vencidos.

O magistrado distrital de Islamabad abriu uma apuração sobre o caso desta quarta-feira, com prazo de 24 horas para apresentar um relatório preliminar, segundo o jornal Dawn. Famílias que perderam bebês na tragédia permaneceram do lado de fora do hospital ao longo do dia, cobrando explicações da direção do PIMS sobre a ausência de funcionários no berçário no momento do incêndio e sobre a existência de apenas uma saída disponível na ala afetada.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Faça login para comentar. Entrar