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Eduardo Bolsonaro articula em Washington sanções contra ministros do STF

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BAPor Beatriz Antunes•18 de setembro de 2026•Fontes: CNN Brasil, BBC News Brasil

Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, articula em Washington uma nova rodada de sanções americanas contra autoridades brasileiras. Ele e o empresário Paulo Figueiredo se reuniram nesta quarta e nesta quinta-feira (16 e 17) com integrantes da Casa Branca e do Departamento de Estado, o órgão que conduz a política externa dos Estados Unidos. A ofensiva acontece a 17 dias da eleição presidencial brasileira, marcada para 4 de outubro.

O pedido central, segundo a BBC News Brasil, é que o governo de Donald Trump retome as sanções financeiras contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e as estenda aos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes. As medidas teriam como base a Lei Global Magnitsky, que pune estrangeiros por graves violações de direitos humanos e práticas de corrupção. Moraes e a esposa foram sancionados em julho do ano passado e saíram da lista em dezembro, após negociação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Trump. A lei tem origem no caso do advogado russo Sergei Magnitsky, morto sob custódia em 2009, e foi ampliada em 2016 para alcançar autoridades de qualquer país.

O que está em jogo para o Brasil

Para o Brasil, a viagem carrega um ingrediente eleitoral. Diante de repórteres em frente ao Departamento de Estado, Eduardo sugeriu que o STF poderia não reconhecer uma eventual vitória de seu irmão, o senador e candidato presidencial Flávio Bolsonaro (Partido Liberal, PL), ainda que o tribunal não tenha feito qualquer manifestação nesse sentido. "Se eles entenderem que a eleição do Flávio é um ato de golpismo, os EUA podem perfeitamente não reconhecer as eleições brasileiras e também sancionar individualmente esses ministros", disse, segundo a CNN Brasil. As declarações vieram dois dias após uma sessão marcada por divergências no STF, na terça-feira (15), sobre a abertura de investigação contra Moraes por sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O pedido partiu do ministro André Mendonça, e o julgamento terminou sem decisão, suspenso após pedido de vista de Dino. Segundo a BBC, o caso esteve na pauta dos encontros desta semana com o Departamento de Estado.

Interesses e agenda em Washington

No mapa de interesses da capital americana, Moraes é alvo antigo de críticas de aliados de Trump, como o empresário Elon Musk, que o acusam de censura e de cercear a liberdade de expressão. Segundo a BBC, Eduardo e Figueiredo têm interlocutores em uma ala do governo americano considerada mais ideológica e alinhada à direita, que disputa com um grupo mais pragmático a atenção de Trump quando o tema é o Brasil. Os dois afirmaram à CNN Brasil ter se reunido com "altas autoridades", mas disseram que não revelarão nomes enquanto o governo americano não divulgar os encontros. Na terça-feira, o deputado republicano Chris Smith, copresidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Representantes, enviou carta à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA), pedindo que monitore a crise no STF e a relação entre Moraes e Vorcaro.

O combate ao crime organizado também entrou na agenda. Eduardo e Figueiredo prometeram que, se Flávio Bolsonaro for eleito, o Brasil passará a integrar o Escudo das Américas, a coalizão antinarcóticos de Trump que reúne mais de vinte países das Américas do Sul e do Caribe, e disseram que o tema das tarifas ficaria para uma negociação futura. A visita coincide com a divulgação, pelo Departamento de Estado, de relatório assinado por Trump que acusa o governo brasileiro de "falhar" no combate às facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).

Eduardo ainda se definiu como "dissidente", ao comentar documento revelado nesta quinta pelo jornal O Estado de S. Paulo em que o governo Trump pedia, no ano passado, que as autoridades brasileiras permitissem a participação de "dissidentes políticos" na eleição de 2026. Na época, durante as negociações sobre as tarifas americanas, o lado brasileiro rejeitou os termos e lembrou que não há dissidentes no país, que é uma democracia. Sobre o momento de eventuais novas sanções, o ex-deputado foi cauteloso: "Não somos nós que dizemos aos EUA o que fazer, quando fazer, até porque, se fosse dessa maneira, o Moraes continuava sancionado."

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