O governo dos Estados Unidos anunciou na segunda-feira (24) um novo pacote de sanções econômicas contra o Irã e ameaçou países que mantiverem relações comerciais com o regime de Teerã. Nesta terça-feira (25), a China respondeu que não deixará de negociar com os iranianos e que defenderá seus interesses, segundo reportagens do G1 e da BBC News Brasil.
De acordo com o G1, o Departamento do Tesouro dos EUA sancionou cerca de 60 pessoas, entidades e embarcações ligadas ao governo iraniano, com atuação nas áreas de energia nuclear, produção de mísseis, operações cibernéticas e petróleo. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que as medidas também cobrem ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e navegação e que qualquer nação que se associar financeiramente ao Irã ficará isolada, segundo a BBC.
As sanções fazem parte da "guerra econômica" anunciada por Donald Trump na semana passada; o presidente americano chegou a dizer que a segunda-feira seria o "Dia D da guerra econômica". "O presidente Donald Trump está ligando para líderes mundiais com pedidos específicos para que cessem suas interações com o Irã", disse Bessent, segundo o G1. Ele afirmou que Washington definiu um cronograma para que cada país interrompa suas atividades com Teerã e ameaçou agir unilateralmente, por meio do Tesouro, contra quem não cumprir. Uma grande instituição financeira também deve ser sancionada nesta semana, sem mais detalhes. Em publicação na rede social Truth Social, Trump disse que o Irã está "colapsando completamente".
Reação do Irã e da China
Em Teerã, o governo minimizou o anúncio. O ministro da Economia, Ali Madanizadeh, classificou a medida como "a mesma velha conversa" e disse que o país está preparado para "qualquer cenário", segundo a BBC. O Ministério das Relações Exteriores do Irã alertou que os países vizinhos que aderirem à campanha de pressão americana poderão enfrentar "consequências". No sábado (22), o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, que também é o principal negociador do país com os EUA, afirmou que Teerã recebeu mensagens de vizinhos citando a criação de "novos acordos de segurança e cooperação econômica".
Em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, disse nesta terça que a cooperação com o Irã "sempre aconteceu dentro do marco do direito internacional e não deve ser alvo de interferências ou perturbações". Ele afirmou ainda que a China "tomará todas as medidas de segurança para salvaguardar com firmeza seus direitos e interesses". A China é um dos principais compradores do petróleo iraniano, considera as sanções ilegais e defende um cessar-fogo no conflito.
O Irã convive com sanções americanas há anos e aprendeu a contorná-las, em parte graças às fronteiras terrestres com sete países. Ainda assim, o bloqueio reduziu as exportações marítimas de petróleo e encareceu as importações, e a economia se deteriorou após os ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro, com a desvalorização do rial. Segundo a BBC, Teerã aposta que o tempo joga a seu favor: novas interrupções no Estreito de Ormuz podem elevar o preço do petróleo e da gasolina e pressionar a inflação nos EUA antes das eleições de meio de mandato de novembro.