O barril de petróleo Brent abriu em alta de 3% nesta segunda-feira (14) e chegou a US$ 107,7, após novos ataques a instalações de energia da Arábia Saudita e a um navio no Estreito de Ormuz. Segundo a Folha de S.Paulo, as bolsas europeias operavam em sua maioria em baixa, também pressionadas por um alerta sobre inteligência artificial que derrubou ações de tecnologia. Ao longo do dia, o Brent negociava a US$ 107,54, alta de 2,8%, e o WTI, referência americana, subia 2,9%, a US$ 102,93, de acordo com o g1 e com a Reuters.
A alta prolonga uma guerra que começou há seis meses, iniciada pelos Estados Unidos e por Israel, e que não tem negociações de paz desde que um acordo provisório fracassou, em junho. Na semana passada, o petróleo já havia subido 8% e superado US$ 100 pela primeira vez desde julho. O gatilho desta segunda foi o fechamento temporário do oleoduto Leste-Oeste, na Arábia Saudita, após um ataque com drones, segundo autoridades do país. A estrutura permite contornar o Estreito de Ormuz, e sua paralisação ameaça até 4% do abastecimento global de petróleo, já que os estoques do porto de Yanbu, no Mar Vermelho, cobrem de cinco a sete dias de exportação.
Para o Brasil, o barril acima de US$ 107 tem efeitos em direções opostas. Exportador de petróleo, o país tende a capturar parte da alta, mas os preços internos dos combustíveis acompanham o mercado internacional, e o encarecimento do barril tende a pressionar gasolina e diesel nas bombas e a reacender o debate sobre inflação. Quanto mais tempo durar o conflito no Golfo, maior o risco de frete e de seguro marítimo mais caros para o comércio global.
Choque de oferta em duas rotas
A crise alcança agora as duas saídas do petróleo do Golfo. No Estreito de Ormuz, uma embarcação foi atingida por um projétil, pegou fogo e obrigou a tripulação a abandonar o navio, informou a agência britânica de segurança marítima UKMTO (United Kingdom Maritime Trade Operations). O Irã informou que uma pessoa morreu e quatro tripulantes ficaram feridos em um navio comercial iraniano atacado na costa do país. Na Arábia Saudita, a mídia estatal divulgou um vídeo de residências e de uma mesquita danificadas na província de Jazan, atribuídas a um ataque houthi, e os houthis assumiram ainda o ataque a uma base militar em província vizinha. O grupo, alinhado ao Irã, chegou à ilha de Perim na sexta-feira, em avanço para reforçar seu controle sobre o estreito de Bab el-Mandeb, por onde passaram de 4% a 5% do abastecimento global nos últimos meses.
Os interesses em jogo
Estados Unidos e Israel abriram a guerra há seis meses, e o presidente americano, Donald Trump, chegou a dizer que os EUA podem permanecer no Irã e ficar com o petróleo do país, comparando a ideia com a tentativa de assumir o controle de um quinto das reservas da Venezuela, segundo a Reuters. De outro lado, Irã e houthis têm atacado a infraestrutura energética saudita e ampliado seu controle sobre gargalos marítimos. As monarquias do Golfo tentavam abrir um canal diplomático: uma reunião com o Irã sobre o Estreito de Ormuz, marcada para esta segunda em Omã, foi adiada, informou o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi.
"Isso ocorre após uma intensificação dos ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita, incluindo o oleoduto Leste-Oeste, de crucial importância", disseram os estrategistas de commodities da ING, que observaram não estar clara a gravidade do dano nem por quanto tempo o oleoduto ficará fora de operação. Com a reunião em Omã adiada, não há por ora negociações em curso para reduzir a tensão.