Forças dos Estados Unidos destruíram cinco petroleiros iranianos na noite entre terça e quarta-feira (8 e 9), na região do Estreito de Ormuz, e o Irã respondeu afirmando ter atacado dez embarcações no mesmo dia, na maior onda declarada de ataques a navios entre os dois países desde o início da guerra, há seis meses, informa a CNN Brasil. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), os ataques americanos responderam a dois disparos de mísseis balísticos da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) contra um navio de guerra dos EUA nos dois dias anteriores. Washington divulgou vídeos das embarcações em chamas antes de afundarem e afirmou que nenhum americano ficou ferido.
Ao destruir os petroleiros, os Estados Unidos anunciaram uma nova política no Golfo: passarão a atacar navios-tanque iranianos sempre que disparos ameaçarem suas embarcações de guerra. "O Irã continua tentando atingir navios da Marinha dos EUA e, para cada vez que fizer isso ou tentar fazer isso, eles perderão petroleiros", disse o secretário de Estado americano, Marco Rubio, a jornalistas durante visita à Colômbia. A Agência Brasil classificou a sequência como a maior onda de ataques entre EUA e Irã desde o começo do conflito.
Pressão sobre os combustíveis no Brasil
Para o Brasil, a escalada chega principalmente pelo preço dos combustíveis. O barril de Brent, referência internacional, voltou a superar US$ 100, patamar que não via desde julho, e o diesel no varejo americano bateu recorde histórico, acima de US$ 5,94 por galão, segundo a CNN Brasil. Como o país ainda importa parte do diesel que consome, a alta do barril pressiona fretes, preços e a inflação em ano de eleição presidencial. O governo já se move para conter o efeito nas bombas: a Agência Brasil noticiou que as novas medidas para segurar os preços dos combustíveis têm impacto estimado de R$ 7 bilhões por mês. Nesta semana, segundo o UOL, a Petrobras reajustou em R$ 0,63 o preço da gasolina para as distribuidoras, e o G1 informou que o corte de tributos deve evitar alta no preço final.
Retaliações e uma segunda frente
A IRGC afirmou ter disparado contra dois navios americanos e oito petroleiros que tentavam cruzar uma área do estreito declarada proibida pelo Irã, além de ter lançado mísseis balísticos contra uma base usada por forças americanas perto de Al Azraq, no leste da Jordânia. O Irã diz ampliar a zona proibida ao redor do estreito e usar mísseis mais modernos e potentes contra embarcações americanas. A defesa aérea jordaniana interceptou 18 dos 20 mísseis, e os dois restantes caíram em áreas desabitadas, sem vítimas, segundo o governo de Amã. A UKMTO (United Kingdom Maritime Trade Operations), agência britânica de segurança marítima, registrou relatos de navios mercantes atingidos e impossibilitados de navegar dos dois lados do estreito, e a UOL noticiou que uma explosão foi ouvida na região, perto do sul do Irã. A imprensa estatal iraniana ameaçou petroleiros ancorados no Kuwait e no Bahrein, e um navio-tanque de gás natural liquefeito foi danificado no porto de Khor Fakkan, nos Emirados Árabes Unidos, segundo uma fonte de segurança marítima ouvida pela CNN Brasil.
Os ataques retomados desde o fim de agosto encerraram um mês de relativa calmaria numa guerra que começou em fevereiro, quando Estados Unidos e Israel bombardearam o Irã em meio a preocupações com o programa nuclear de Teerã. O Irã afirma que suas atividades nucleares têm fins pacíficos, e a agência nuclear da ONU denunciou o país ao Conselho de Segurança, como noticiou a Folha de S.Paulo, que também registrou ataques americanos a petroleiros iranianos perto da ilha de Kharg, no golfo Pérsico, na terça-feira (8). Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump sustenta que o conflito acabará logo após as eleições de meio de mandato de novembro, que definem o controle do Congresso.
"Acho que a guerra vai terminar imediatamente após a eleição porque eles não conseguem mais resistir. Eles estão desesperados para tentar afetar a eleição", disse Trump a repórteres, na quarta-feira (9).
Internamente, a avaliação diverge: segundo o Wall Street Journal, o vice-presidente JD Vance e o próprio Rubio alertaram Trump, em particular, de que a guerra pode se estender até o fim do mandato, em janeiro de 2029, informação que a Reuters não conseguiu verificar de imediato. A guerra e a alta dos combustíveis já levaram a popularidade do presidente americano a mínimas recordes. Enquanto isso, o trânsito pelo Ormuz, por onde passava um quinto do petróleo mundial antes da guerra, segue praticamente interrompido: apenas sete embarcações atravessaram o estreito na quarta-feira, metade da média dos dez dias anteriores, segundo dados preliminares de rastreamento. Washington mantém um bloqueio aos portos iranianos e afirma ter conseguido conduzir petroleiros pelo estreito, ainda que monitoramentos independentes indiquem que é cada vez mais difícil medir quanto petróleo sai da região. Há ainda uma segunda frente em curso: os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, atacaram quatro cidades da Arábia Saudita na terça-feira, deixando 73 feridos e incêndios em instalações de petróleo que puderam ser vistos do espaço. O Valor Econômico noticiou que o petróleo segue em alta com o conflito, enquanto títulos asiáticos caíram.