Os países membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), grupo formado por 38 economias em sua maioria ricas, registraram o pior desempenho da história nas três áreas avaliadas pelo Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes). Os dados da edição de 2025, divulgados nesta terça-feira (8), foram reportados pelo Folha de S.Paulo. A prova, aplicada a cada três anos a estudantes de 15 anos em ciências, leitura e matemática, testou mais de 760 mil jovens em 91 países e regiões, e avaliou pela primeira vez a capacidade de resolver problemas com ferramentas computacionais.
Entre os 23 países que participam do exame desde a primeira edição, em 2000, a média em matemática caiu 32 pontos em duas décadas e chegou a 469. Em leitura, a perda foi de 29 pontos, com média de 466, e em ciências a queda acumulada desde 2006 é de 17 pontos, para 486. Como uma variação de 20 pontos no Pisa equivale a cerca de um ano de aprendizagem, esses estudantes aprendem hoje, na média, um ano e meio menos de matemática e leitura do que jovens da mesma idade de 20 anos atrás.
A organização avalia que, depois da queda "sem precedentes" registrada no ciclo pós-pandemia de 2022, o desempenho seguiu caindo em muitos países, sinal de problemas estruturais na educação global. A parcela de estudantes de países da OCDE com desempenho abaixo do esperado para a idade nas três áreas passou de 25% em 2022 para 29%.
"O Pisa 2025 registrou o pior desempenho médio dos países da OCDE observado até agora. O desempenho em leitura caiu depois de atingir seu pico por volta de 2012, enquanto o desempenho em ciências apresentou uma queda mais gradual ao longo da última década, e o desempenho em matemática caiu de forma especialmente acentuada após 2018", afirma o relatório.
O Brasil, parado em outro patamar
Entre os países membros da OCDE os resultados caíram; no Brasil, o desempenho está parado há dez anos, em um patamar bem mais baixo. Os estudantes brasileiros fizeram 409 pontos em ciências, resultado próximo ao de 2015, quando foi 401. Em matemática, a média foi de 377 pontos, exatamente a mesma de dez anos atrás. Mais de 30 mil jovens no país participaram da prova. Segundo o G1, 43,8% dos alunos brasileiros estão abaixo do nível mínimo em ciências, matemática e leitura ao mesmo tempo.
Os números mantêm o país distante das médias dos 38 membros da OCDE na edição atual: 482 pontos em ciências, 461 em leitura e 463 em matemática. A distância também é grande dentro do Brasil. Os 25% de estudantes de maior nível socioeconômico tiveram 96 pontos a mais em ciências que os 25% menos favorecidos, com médias de cerca de 476 e 380 pontos. A diferença média na OCDE é de 85 pontos; na Alemanha chega a 125, a maior da organização, e no Canadá fica em 59.
No campo digital, o Brasil mais que dobrou em três anos a proporção de alunos em escolas que proíbem o uso de celular, de 37% para 81%, efeito da política adotada em janeiro de 2025. Na média da OCDE, o índice passou de 34% para 49%. Segundo o Pisa, estudantes de escolas que proíbem o celular têm cerca de 13% menos chances de relatar distração digital durante as aulas. O avanço, porém, não veio acompanhado de melhoria na capacidade das escolas brasileiras de integrar tecnologias ao aprendizado, que segue abaixo da média internacional. Enquanto os países membros da OCDE discutem como reverter uma queda de duas décadas, o Brasil segue com uma tarefa mais antiga: elevar um desempenho que não muda desde 2015.