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Trump anuncia acordo do petróleo com a Venezuela; críticas vêm de chavistas e oposição

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BAPor Beatriz Antunes•31 de agosto de 2026•Fontes: CNN Brasil, BBC Brasil, G1

Os Estados Unidos e a Venezuela anunciaram na sexta-feira (28/8) o que o presidente americano, Donald Trump, chamou de "o maior acordo de petróleo da história": o controle majoritário, por parte de Washington, de reservas comprovadas de mais de 65 bilhões de barris de petróleo venezuelano. Em mensagem na rede social Truth Social, Trump disse ter obtido o acordo "sem nenhum custo para o contribuinte americano". A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, confirmou o anúncio horas depois e afirmou que o pacto trará investimentos de mais de US$ 100 bilhões e receita tributária de cerca de US$ 209 bilhões para o Estado venezuelano ao longo de 25 anos.

Segundo a BBC Brasil, os 17 campos previstos no acordo representam cerca de 21,5% das reservas da Venezuela, as maiores do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris pela Administração de Informação Energética (EIA), agência do governo americano. O país, no entanto, produz hoje cerca de 1,25 milhão de barris por dia, após anos de subinvestimento, má gestão e sanções, e a meta do acordo é elevar a produção para mais de 1,5 milhão de barris diários. No domingo (30), Trump afirmou que o petróleo venezuelano será usado para reabastecer a Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA, que está com cerca de 290 milhões de barris, perto da mínima em 44 anos, e chamou o acordo de "um presente da Venezuela para o povo dos Estados Unidos".

Para o Brasil, o acordo mexe em um mercado que o país conhece de perto. Se a meta venezuelana for alcançada, um grande fornecedor volta ao mercado internacional de petróleo, no qual o Brasil figura entre os maiores exportadores, e a oferta extra tende a pesar sobre os preços do barril, com efeito sobre a receita de exportação brasileira e sobre os royalties arrecadados pelo setor público. No curto prazo, porém, pouco deve mudar: segundo a CNN Brasil, não está claro com que rapidez o acordo poderá reabastecer as reservas americanas, já que a indústria venezuelana exige investimentos pesados e obras de infraestrutura antes de aumentar a produção.

Convergência rara de críticas

O acordo é o episódio mais recente de um ano em que os Estados Unidos impuseram um bloqueio marítimo à Venezuela, detiveram o presidente Nicolás Maduro em uma operação militar e reconheceram sua então vice, Delcy Rodríguez, como governante interina, em vez de promoverem uma transição democrática, segundo a BBC Brasil. As críticas ao pacto, porém, vieram dos dois extremos da política venezuelana. O economista Ricardo Hausmann, professor da Escola de Governo Kennedy, de Harvard, e ferrenho opositor do governo venezuelano, escreveu no X, em mensagem dirigida ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, um dos articuladores do acordo:

"Você decidiu usar o poder dos Estados Unidos não para libertar os venezuelanos, mas para se aliar aos nossos opressores. Optou por promover uma apropriação de ativos, um acordo inconstitucional com um governo ilegítimo e opressor, em vez de usar a liderança dos Estados Unidos para primeiro restabelecer a ordem constitucional e a democracia."

Do outro lado do espectro, Rafael Ramírez, ex-presidente da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) e ex-ministro do Petróleo durante grande parte do governo de Hugo Chávez, disse que o acordo entrará para a história "por ser entreguista e por abrir as portas para o novo colonialismo dos EUA" e o descreveu como um pacto "feito de costas para o país". No sábado à tarde, dezenas de grupos pró-governo se manifestaram no centro de Caracas contra a presença americana, segundo a CNN Brasil. Os números também são disputados: o economista Francisco Rodríguez calculou, com base nos dados divulgados na sexta, que o pacto geraria apenas US$ 3,22 de receita fiscal por barril, menos da metade da taxa de royalties das concessões outorgadas há um século pelo ditador Juan Vicente Gómez.

Em pronunciamento televisionado no sábado (29), Delcy Rodríguez rebateu as críticas e apresentou números diferentes: com um barril de referência de US$ 65, o país receberia US$ 209,335 bilhões em 25 anos, cerca de US$ 19 por barril vendido. Ela afirmou que a Venezuela mantém "a propriedade e a soberania" sobre seus recursos, que oito blocos serão desenvolvidos com royalties mínimos de 16% e imposto de renda de 34%, e que a produção total deve superar a meta graças a acordos com empresas como Repsol, Eni, Shell e BP. A justificativa dela, de que as reservas exigem "investimentos, tecnologia, infraestrutura, capacidade produtiva", é semelhante à usada na abertura petrolífera dos anos 1990, criticada por décadas pelo chavismo, observou à BBC Luis Pacheco, do Instituto Baker, da Universidade Rice. "É um reconhecimento de que a política nacionalista ideológica do chavismo nos fez perder 35 anos, uma geração inteira", disse Pacheco. Segundo a CNN Brasil, autoridades venezuelanas preparam para esta semana a assinatura de novos contratos de exploração com empresas estrangeiras, entre elas a americana Chevron.

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