arrow_backVoltar
internationalunited-statesoildiplomacyiran

Trump diz que EUA detonaram minas iranianas; Irã e Omã fecham acordo sobre Ormuz

bookmark_borderSalvar
BAPor Beatriz Antunes•27 de agosto de 2026•Fontes: G1 Economia, Folha de S.Paulo, G1

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira (25) que a Marinha americana removeu ou detonou todas as minas navais instaladas pelo Irã no Estreito de Ormuz, a passagem por onde circulava um quinto da produção mundial de petróleo e de gás natural liquefeito (GNL) antes da guerra no Oriente Médio. Um dia depois, o regime de Teerã anunciou um acordo com Omã para administrar o estreito, hoje obstruído, com a previsão de um corredor de navegação temporário e de um projeto conjunto de desminagem.

Os chanceleres de Irã e Omã se reuniram na terça em Teerã e divulgaram comunicado conjunto sobre "a implementação de um plano em etapas", segundo o g1. O anúncio formal do arranjo veio nesta quarta-feira (26), quando o vice-chanceler iraniano, Kazem Gharibabadi, disse à TV estatal que o estreito permanecerá obstruído até que os detalhes sejam finalizados, informou a Folha de S.Paulo. "A rota acertada é temporária", afirmou. Na véspera, Trump havia escrito na rede Truth Social que o país monitora cada centímetro quadrado do estreito por satélite, por meio da Força Espacial, e que atacará qualquer embarcação que tentar instalar novas minas.

"Acabei de ser informado pela Marinha dos Estados Unidos que todas as minas foram removidas e/ou detonadas nas águas internacionais do Estreito de Ormuz. O Irã foi notificado de que qualquer navio ou embarcação que colocar novas minas será imediata e sistematicamente destruído. Há uma política de tolerância zero para a colocação de minas em pleno vigor", escreveu Trump.

O que muda para o Brasil

Para o Brasil, o capítulo de Ormuz se lê principalmente no preço do petróleo. A guerra e a obstrução do estreito elevaram o petróleo no mercado internacional, e o reflexo chegou à bomba: nesta semana, o Ministério da Fazenda prorrogou até 9 de setembro o subsídio de R$ 0,44 por litro de gasolina, criado em maio para conter os efeitos da guerra na economia brasileira, de acordo com o g1. Ao justificar a prorrogação, a pasta citou as "recentes oscilações no mercado internacional de petróleo e seus derivados" e seus possíveis reflexos nos preços domésticos.

O tamanho do amortecedor aparece nos números de maio: sem a subvenção, um reajuste de R$ 0,48 da Petrobras teria sido repassado integralmente às distribuidoras; com ela, o aumento efetivo foi de R$ 0,04 por litro. Em julho, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) elevou para 32% a mistura de etanol anidro na gasolina, outra medida para conter a inflação dos combustíveis. Se a desminagem anunciada por Trump e o corredor negociado por Teerã e Mascate normalizarem o fluxo de Ormuz, a tendência é de alívio dessa pressão. Até lá, o cenário oficial segue sendo o de volatilidade.

Interesses em disputa no estreito

A referência de Trump a "águas internacionais" contrasta com a geografia do local. Como observa a Folha, não há águas internacionais no estreito, apenas o encontro dos limites territoriais de Irã, ao norte, e Omã, ao sul, separados por um mínimo de 39 km. Antes da guerra, o tráfego era livre por um corredor com três faixas de 3 km cada: uma de entrada, uma de saída e uma de separação. Washington, que iniciou a guerra ao lado de Israel em 28 de fevereiro, já disse se opor a qualquer solução para Ormuz que não passe por seu controle. Na segunda-feira (24), o secretário de Guerra americano, Pete Hegseth, afirmou que "de forma alguma" descarta "o uso de ataques cinéticos em qualquer ponto do Estreito de Ormuz ou nos arredores do Irã", no mesmo dia em que os EUA anunciaram uma nova leva de sanções a Teerã, em uma ofensiva batizada de "Dia D econômico".

Do outro lado, o Irã busca transformar a posição geográfica em receita e alívio de sanções. "Nessas negociações, acordos foram alcançados acerca da fatia do Irã e de Omã nas águas e nas suas receitas", disse Hossein Mohebbi, porta-voz da Guarda Revolucionária, segundo a Folha; a força condiciona a implementação do arranjo ao aval de Washington. O ministro da Economia iraniano prometeu "mais uma derrota" aos EUA e disse dispor de um "plano de dois anos" para enfrentar as restrições americanas. Omã, por sua vez, tenta recuperar o papel de mediador que exercia antes do conflito, no qual já foi alvo de 70 ataques iranianos, segundo a Folha. Na semana passada, Trump chegou a ameaçar bombardear o sultanato, um aliado americano, caso a negociação com Teerã prosperasse.

Trump também voltou a acusar Teerã de executar manifestantes e falou em "crise humanitária de proporções épicas". O chanceler iraniano respondeu que as novas sanções são "uma ameaça ao direito internacional e à carta da ONU". Com o estreito ainda obstruído e os detalhes do acordo em aberto, a normalização de Ormuz permanece uma promessa condicionada a um aval que, até agora, Washington não deu.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Faça login para comentar. Entrar