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Lula deve usar discurso na ONU para defender soberania e mandar recados aos EUA

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BAPor Beatriz Antunes•18 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, G1, Vermelho

O debate geral da 81ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) abre na terça-feira (22), em Nova York, sob o tema "Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas". Pela tradição da casa, o Brasil é o primeiro país a falar, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abrirá os discursos dos chefes de Estado.

Segundo auxiliares do presidente ouvidos pelo G1, o texto ainda não está fechado, mas reservará espaço para uma defesa da soberania brasileira e para críticas ao que o governo avalia serem tentativas externas de interferência no processo eleitoral. Lula não deve citar os Estados Unidos nem o presidente Donald Trump pelo nome. Os recados, dizem interlocutores, alcançarão não só os EUA, mas também países que, na avaliação do presidente, tentam influenciar as eleições do Brasil, como Argentina e Israel.

O que está em jogo para o Brasil

O discurso chega a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições de outubro e converte o palco da ONU em mais um capítulo da campanha. Para a equipe de Lula, os Estados Unidos representam a maior ameaça à reeleição do petista, sobretudo por serem o país das big techs, as gigantes de tecnologia, e pelo protagonismo dos EUA na geopolítica. O processo eleitoral brasileiro não será o tema central do discurso, mas o governo considera que o assunto ganhou peso porque, na avaliação da diplomacia nacional, "a democracia e o multilateralismo estão sob ataque".

A relação entre os dois países tem sido marcada por novas tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros e por declarações de Trump contra a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Não há movimentação, até agora, para uma reunião bilateral entre Lula e Trump às margens da Assembleia. A expectativa é que os dois se cruzem nos corredores, como no ano passado, quando Trump disse ter havido "química" entre eles. Nos últimos dias, Lula repetiu que reforçará ao americano que não aceita interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.

Encontro com Mamdani

Um dos poucos itens confirmados na agenda é o encontro com o prefeito de Nova York, o socialista democrata Zohran Mamdani, na manhã de segunda-feira (21), na residência do embaixador Sérgio Danese, representante do Brasil na ONU. O pedido partiu de Mamdani, e a reunião só sairia da agenda em caso de imprevisto grande, segundo a Folha de S.Paulo. Auxiliares do presidente argumentam que não haveria motivo para tratar o encontro como provocação, já que o próprio Trump recebeu Mamdani na Casa Branca em 2025.

Prefeito desde janeiro, Mamdani é, segundo a Folha, a figura pública com maior capacidade de antagonizar Trump dentro dos Estados Unidos: sua administração critica as operações do Serviço de Imigração e Alfândega americano (ICE) e mantém posições contrárias à política dos EUA para Israel. A viagem de Lula será curta. Ele chega a Nova York no domingo (20), concentra os encontros bilaterais na segunda e deixa a cidade logo após o discurso, com uma entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, no meio da agenda, segundo o site Vermelho.

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