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23 brasileiros vítimas de falsas promessas de emprego aguardam repatriação em Madagascar

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Um grupo de 23 brasileiros está retido em Madagascar, país insular na costa sudeste da África, sem passaportes e à espera de repatriação, após cair em uma rede de tráfico de pessoas que explora centros de golpes virtuais no Sudeste Asiático. Segundo a ONG The Exodus Road Brazil, os brasileiros foram atraídos por falsas promessas de emprego no exterior e acabaram levados para o Camboja, onde dizem ter sido obrigados a aplicar fraudes pela internet contra vítimas no Brasil.

O caso segue um padrão que autoridades e organizações humanitárias vêm registrando nos últimos anos no Sudeste Asiático: quadrilhas recrutam trabalhadores de vários países com ofertas de emprego e os mantêm em cativeiro, forçando-os a operar fraudes digitais. Desta vez, a rede explorou o idioma comum. De acordo com a ONG, os brasileiros tinham como alvo vítimas no Brasil, enquanto moçambicanos traficados miravam Portugal. Entre os golpes aplicados estavam falsas abordagens em nome da Polícia Federal e o chamado "golpe do amor", no qual os criminosos simulam relacionamentos amorosos para obter dinheiro.

Para o Brasil, o episódio virou um caso consular. O Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou ao G1 que presta a assistência consular cabível e mantém interlocução com as autoridades locais sobre o caso. A Defensoria Pública da União (DPU) também acionou a pasta para apoiar o retorno do grupo, segundo o Jornal Correio. O impasse é prático: a família de duas das vítimas relata que os passaportes só serão devolvidos diante da compra das passagens de volta, orçadas em cerca de R$ 5,5 mil por pessoa até São Paulo, valor que as famílias afirmam não ter.

Da promessa de emprego ao cativeiro

Entre os 23 brasileiros estão duas irmãs de Uberaba, no Triângulo Mineiro, que viajaram com a promessa de trabalhar na Tailândia, uma como cabeleireira em um salão de beleza e outra como recepcionista. O irmão delas, que pediu para não ser identificado, contou à TV Integração que a família falava com as duas todos os dias e só desconfiou da situação quando elas não conseguiam enviar dinheiro para casa, alegando uma dívida alta.

"Foi então que, com muita vergonha, uma das minhas irmãs me contou que na verdade elas haviam sido traficadas e estavam sendo mantidas em cativeiro e sendo obrigadas a aplicar esses golpes virtuais", relatou o irmão.

De acordo com a The Exodus Road Brazil, após quase cinco meses de exploração, o grupo foi levado do Camboja para Madagascar no dia 19 de agosto, durante uma operação policial contra a rede formada por brasileiros e moçambicanos traficados. Catorze brasileiros ficaram detidos por cerca de três dias e os demais por aproximadamente cinco, sendo todos liberados até o dia 22. Segundo relatos às famílias, homens e mulheres foram mantidos separados, alguns em quartos pequenos e sem janelas, com alimentação precária. Ao serem soltos sem os passaportes, os brasileiros seguiram para o aeroporto, onde a ONG orientou que permanecessem diante do risco de perseguição pela organização criminosa. Depois, foram acolhidos por uma entidade local e seguem hospedados em uma casa, com apoio de missionários da região para alimentação e itens básicos.

Apesar do relato das famílias, Cintia Meirelles, especialista em assuntos humanitários e representante da The Exodus Road no Brasil, ressalva que não é possível afirmar que todos os 23 sejam vítimas de tráfico de pessoas. "Cabe às autoridades brasileiras investigar individualmente a situação de cada integrante do grupo", afirmou ao G1. Moradores de Sergipe e da Bahia também estariam entre os brasileiros, segundo o G1 e o site A Voz No Campo. Enquanto o retorno não se concretiza, o caso expõe o impasse logístico da repatriação: de um lado, o Itamaraty negocia com as autoridades malgaxes; de outro, as famílias tentam arcar com as passagens, condição para que os documentos sejam devolvidos.

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