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Cúpula do Brics abre em Nova Délhi entre guerra no Irã e tensões com os EUA

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BAPor Beatriz Antunes•12 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, G1, Agência Brasil

Líderes do Brics, o grupo das grandes economias emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China e ampliado nos últimos anos, começam a se reunir neste sábado (12) em Nova Délhi para a 18ª cúpula do bloco, que segue até domingo (13). O encontro é comandado pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e traz à capital o presidente russo, Vladimir Putin, o chinês, Xi Jinping, e o iraniano, Masoud Pezeshkian, além do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres. Segundo o G1, um dos principais objetivos da diplomacia indiana é aprovar uma declaração conjunta ao fim da reunião.

O contexto é o mais delicado possível. A cúpula ocorre em meio à guerra que Estados Unidos e Israel travam contra o Irã, membro do bloco desde 2024, iniciada há mais de seis meses. Segundo reportagem da Reuters publicada pela Agência Brasil, o conflito levou ao fechamento virtual do Estreito de Ormuz, um dos principais gargalos do comércio mundial de petróleo, e elevou o preço do barril para mais de US$ 100. Dentro do próprio grupo, o confronto abriu uma divisão: os Emirados Árabes Unidos, atingidos por mísseis iranianos desde o começo da guerra, suspenderam em agosto todas as transações comerciais e financeiras com Teerã.

Para o Brasil, o encontro marca uma posição incomum. País fundador do grupo em 2006, ao lado de Rússia, Índia e China, o Brasil será o único dos quatro membros originais sem chefe de Estado na mesa: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em plena campanha pela reeleição, é representado pelo chanceler Mauro Vieira, segundo a Folha de S.Paulo. O jornal nota a inversão em relação ao ano passado, quando o Brasil, então presidente rotativo, sediou uma cúpula que o próprio diário descreve como esvaziada e da qual Xi Jinping nem participou. Neste fim de semana a presença de líderes está mais robusta, e é o Brasil que comparece em nível de ministro.

O que cada país quer

Cada membro chega com agenda própria. A China de Xi, que faz sua primeira visita à Índia em sete anos, quer manter o bloco ampliado coeso; a Rússia de Putin, hostil ao Ocidente, apoia o Irã. A anfitriã Índia equilibra: preservou os vínculos com Moscou mesmo após o início da guerra na Ucrânia e mantém relações estratégicas com Teerã, ao mesmo tempo em que amplia a parceria econômica, militar e tecnológica com Estados Unidos e Europa, descreve o G1. Na sexta (11), Modi se reuniu separadamente com Putin e Pezeshkian. Também devem comparecer o sul-africano Cyril Ramaphosa, o egípcio Abdel Fattah al-Sisi e o indonésio Prabowo Subianto. Os Emirados Árabes Unidos enviam o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, xeque Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, e a Arábia Saudita, que nunca aceitou a adesão plena, será representada pelo chanceler Faisal bin Farhan Al Saud.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, admitiu na terça (8) que as diferenças entre Emirados e Irã tiveram impacto negativo e dificultam a elaboração de uma declaração conjunta, embora tenha expressado esperança em uma fórmula aceitável aos dois países. Para Michael Kugelman, pesquisador sênior do Atlantic Council, o problema é estrutural.

"Alguns dos novos membros dos Brics, como Irã, Emirados, Egito e Etiópia, estão envolvidos em tensões e discordam em muitos pontos. Isso é uma má notícia para uma entidade que opera com base no consenso", disse o pesquisador à Reuters. "Há uma ironia aqui: a expansão do Brics reflete seu apelo e sua proeminência crescentes. Mas esse mesmo apelo, pela divergência de visões dos novos membros, pode tornar o grupo menos eficaz."

Um precedente alimenta o otimismo dos anfitriões. Na cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCS), realizada este mês em Bishkek, Modi, Xi, Putin e Pezeshkian, entre outros, assinaram uma declaração conjunta que condena a campanha militar dos EUA e de Israel contra o Irã e as sanções ocidentais. "Houve um avanço significativo em Bishkek. Eles conseguiram chegar a uma formulação aceitável para todas as partes", avaliou o ex-diplomata indiano Rajiv Bhatia.

Dólar, tarifas e a busca por coesão

A agenda econômica inclui comércio, investimentos, energia, segurança alimentar, tecnologia e cadeias de suprimentos, além da reforma de instituições internacionais e de maior participação dos países em desenvolvimento nas decisões globais, lista o G1. Também está em jogo o esforço para reduzir a dependência do dólar, com a ampliação do uso de moedas nacionais nos pagamentos entre membros e alternativas a instituições financeiras tradicionalmente lideradas pelo Ocidente. O bloco reúne hoje 11 países e cerca de metade da população mundial. Especialistas ouvidos pela Reuters avaliam que o protecionismo e as tarifas unilaterais do presidente americano, Donald Trump, deram aos membros um motivo extra de união. Xi deve viajar aos Estados Unidos ainda neste mês, e não está claro se conversará com Putin em Nova Délhi antes do encontro com Trump. Na capital indiana, milhares de policiais foram mobilizados e o trânsito enfrenta restrições até o fim do encontro.

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