O Departamento de Estado dos Estados Unidos suspendeu por tempo indeterminado os agendamentos para entrevistas de vistos de imigrante em consulados e embaixadas em todo o mundo. A categoria atende estrangeiros que buscam residência permanente no território americano. Segundo a pasta, a paralisação global tem como objetivo treinar funcionários consulares para reforçar os critérios de avaliação socioeconômica dos requerentes, conforme relatou o jornal britânico Financial Times e confirmou o Poder360.
O governo americano busca impedir a entrada de solicitantes com base na regra de "encargo público", dispositivo legal que restringe a concessão do documento a quem possa depender de benefícios estatais no futuro. Solicitantes que já possuíam datas reservadas receberam mensagens eletrônicas informando o adiamento das entrevistas, sem prazo para remarcação. A manobra administrativa permite que a Casa Branca reduza a imigração legal sem depender de alterações legislativas no Congresso americano.
No Brasil, a decisão atinge diretamente milhares de profissionais e famílias com pedidos de reagrupamento e autorização de trabalho em andamento nos consulados do Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Recife e Porto Alegre. A nova barreira surge poucos dias após a juíza federal Jeannette Vargas, de Nova York, anular uma portaria do secretário de Estado Marco Rubio que barrava a emissão de vistos de imigrante para cidadãos de 75 países, lista que incluía o Brasil. Com a suspensão geral das agendas, Washington restabelece o travamento dos processos por via burocrática.
Além do congelamento de vistos permanentes, Washington prepara a revogação de até 200 mil vistos de turismo e negócios, das classes B1 e B2, de cidadãos estrangeiros que entraram nos Estados Unidos e pediram asilo. Governos da América Latina e da União Europeia acompanham as medidas como um estreitamento generalizado das vias legais de mobilidade, impondo incertezas a candidatos que cumpriram todas as etapas formais e pagaram taxas consulares sem garantia de atendimento.