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Tesouro americano de 10 anos supera os 5%, maior nível desde 2007, e pressiona o Brasil

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BAPor Beatriz Antunes•18 de setembro de 2026•Fontes: InfoMoney, Folha de S.Paulo, G1

O rendimento dos títulos de dez anos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos no mercado como Treasuries, passou dos 5% nesta terça-feira (15 de setembro), o maior patamar desde 2007. O G1, com informações da agência France Presse, registrou a taxa em 5,02%; o InfoMoney apontou 5,04%, alta de cinco pontos-base, o nível mais alto em 19 anos. O título funciona como referência mundial para o custo de empréstimos.

O movimento acompanha o petróleo. Um ataque com drones interrompeu temporariamente as operações do oleoduto Leste-Oeste, na Arábia Saudita, estrutura que permite ao reino contornar o Estreito de Ormuz e cuja paralisação ameaça até 4% do abastecimento global de petróleo. Segundo a Folha, os houthis, grupo do Iêmen aliado do Irã, confirmaram o lançamento de "dezenas de mísseis balísticos e drones" contra a Arábia Saudita e controlam a costa do Mar Vermelho e o Estreito de Bab al-Mandeb, enquanto Teerã mantém o bloqueio de Ormuz, por onde passava cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo antes do conflito entre Estados Unidos e Irã. Nesta terça, o Brent subia 1,84%, a US$ 107,58 o barril, e o WTI avançava 1,96%, a US$ 103,38, segundo o InfoMoney.

O que muda para o Brasil

Para o Brasil, o efeito chega pelo câmbio e pelo juro. Quando os Treasuries pagam mais, parte dos investidores globais transfere recursos para os Estados Unidos, que oferecem o ativo considerado um dos mais seguros do mundo, e países emergentes perdem atração, explica o G1. O dólar fechou em alta de 0,48%, a R$ 5,148, na segunda-feira (14), e operava perto da estabilidade, a R$ 5,143, na manhã desta terça, segundo a Folha. Moeda americana mais cara encarece produtos importados e pressiona a inflação em itens ligados ao mercado internacional, como combustíveis, eletrônicos e insumos industriais. Com os preços em alta, o Banco Central tende a ter menos espaço para reduzir a Selic, a taxa básica de juros brasileira.

Os mercados já refletiam a cautela. O Ibovespa caiu 0,91%, a 185.500 pontos, na segunda, com ações de petrolíferas na contramão dos demais papéis. Nesta terça, os futuros de Wall Street operavam em baixa (Dow Jones -0,62%), as bolsas europeias recuavam (STOXX 600 -0,77%) e a Ásia fechou em queda, com vendas no varejo da China crescendo 0,4% em agosto, abaixo dos 0,8% previstos, informou o InfoMoney.

"O petróleo continuará funcionando como principal termômetro do apetite por risco. Uma nova escalada pode pressionar o real, elevar os juros futuros e prejudicar ações domésticas, embora possa sustentar as petrolíferas. No Brasil, o mercado também deverá ajustar posições antes da Superquarta, com atenção especial à curva de juros, ao câmbio e aos desdobramentos da crise política", disse Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, à Folha.

Semana de decisões

O mercado precifica uma alta de 0,25 ponto percentual na decisão de quarta-feira (16) do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, o que seria o primeiro aumento de juros em três anos, segundo o G1. Para o InfoMoney, a aposta combina a pressão inflacionária do petróleo com a resiliência da economia americana. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia sua decisão de juros na mesma data, dia que o mercado apelidou de "Superquarta".

Na economia real, os efeitos tendem a chegar pelo crédito. Segundo o G1, taxas mais elevadas costumam encarecer empréstimos e desacelerar o consumo das famílias, o investimento das empresas e a atividade econômica. O mesmo mecanismo vale para outros emergentes, que disputam capital internacional com papéis americanos que agora pagam mais.

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