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Irã lança mísseis balísticos contra bases dos EUA na Jordânia após ataque em Ormuz

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O Irã declarou neste domingo (30) ter lançado mísseis balísticos contra as bases militares norte-americanas Rei Hussein e Al Azraq, na Jordânia, cumprindo a retaliação prometida ao ataque dos Estados Unidos à ilha iraniana de Larak, no Estreito de Ormuz. O anúncio é do Corpo da Guarda da Revolução Islâmica (IRGC), citado pelo Estadão Conteúdo. Para a CNN, a troca de golpes marca a primeira escalada entre os dois países em mais de um mês; o G1 classificou o ataque americano como o primeiro dos EUA contra o Irã desde julho.

As versões divergem sobre o resultado. Um oficial americano ouvido pela CNN afirmou que os mísseis iranianos disparados contra a Jordânia foram interceptados e que, até o momento, não há relatos de impactos. Horas antes, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) havia confirmado, pela voz do porta-voz capitão Tim Hawkins, a destruição de dois lançadores de foguetes em Larak. A ação foi desencadeada, segundo a CNN, depois que militares americanos observaram forças iranianas se preparando para disparar foguetes e colocar minas no Estreito, corredor por onde passa boa parte do petróleo que circula por mar no mundo. O IRGC admitiu perdas: segundo a emissora estatal Irib, o ataque matou e feriu vários militares e civis iranianos, e a Guarda prometeu "responder e punir os responsáveis".

O que muda para o Brasil

Para o Brasil, o canal de transmissão é o preço do petróleo. O Ormuz é uma das principais artérias do comércio global de crude, e cada ciclo de escalada entre Irã e EUA eleva o prêmio de risco do Brent, referência que orienta os combustíveis nas bombas brasileiras e, com eles, a inflação. Até aqui, porém, o conflito não desorganizou o mercado: segundo a agência Bloomberg, citada em análise do analista da CNN Brett McGurk, que ocupou altos cargos de segurança nacional em governos americanos de George W. Bush a Joe Biden, os fluxos de petróleo pelo Estreito já voltaram a dois terços dos níveis pré-guerra e os preços de energia seguiram estáveis. O risco agora é que a retomada dos ataques desfaça essa estabilidade. No plano diplomático, a linha de Brasília tem sido manter abertos os canais com as duas capitais: em 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva negociou, ao lado do premier turco Recep Tayyip Erdogan, uma declaração em Teerã para viabilizar a troca de combustível nuclear do Irã.

Interesses em jogo

O mapa de interesses explica a escala. Washington quer que o Irã pare de ameaçar navios no Estreito e abandone o que restou de seu programa de enriquecimento; desde meados de julho, os EUA mantêm um bloqueio militar aos portos iranianos e sanções ao petróleo do país. Teerã, cuja economia deve encolher mais de 5% neste ano, com inflação perto de 70%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), aposta em elevar o custo global da guerra para forçar o presidente Donald Trump a recuar antes das eleições de meio de mandato americanas, como observa McGurk. Uma autoridade do Ministério do Trabalho do Irã estimou mais de 1 milhão de empregos perdidos nos três primeiros meses de conflito. A Jordânia, aliada dos EUA que hospeda suas tropas, voltou ao centro do tabuleiro.

A retaliação deste domingo é o primeiro teste do equilíbrio frágil vigente desde julho. Na cronologia traçada por McGurk, a guerra teve quatro capítulos: bombardeios intensos a partir de 28 de fevereiro, cessar-fogo em 7 de abril, acordo provisório assinado em 17 de junho por Trump e pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian e, depois que o Irã voltou a atacar navios comerciais, o bloqueio americano. Nas horas que seguiram o ataque a Larak, um petroleiro foi atingido por projétil no Estreito de Ormuz, sem registro de vítimas, segundo o Estadão Conteúdo, e o líder supremo do Irã pediu, em mensagem divulgada pela mídia estatal, a união dos países muçulmanos contra EUA e Israel.

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