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Avalanche no Himalaia passa de 1.000 mortos; 4.462 seguem desaparecidos

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BAPor Beatriz Antunes•1 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, BBC News Brasil, G1

O número oficial de mortos pela avalanche que atingiu a fronteira entre Nepal e China no dia 26 de agosto passou de 1.000 nesta terça-feira (1). A Autoridade Nacional para a Redução e Gestão de Risco de Desastres do Nepal elevou o balanço do país a 987 vítimas fatais, e a imprensa estatal chinesa confirmou 16 mortes na região autônoma do Tibete, elevando o total dos dois países para 1.003, informam o G1 e a Folha de S.Paulo, com dados da agência de notícias France Presse (AFP).

O desastre começou com o colapso de uma geleira na fronteira, que enviou uma onda de água gelada e detritos sobre vilarejos inteiros e um corredor de usinas hidrelétricas. Segundo as autoridades dos dois países, 4.462 pessoas seguem desaparecidas, sendo 3.916 no Nepal e 546 no Tibete. Em 24 horas, o número de não localizados no Nepal saltou de 2.502 para 3.925, segundo dados divulgados pela BBC News Brasil. Na Índia, o estado de Uttar Pradesh já recuperou 17 corpos em rios que as autoridades acreditam serem de vítimas arrastadas pela correnteza, ainda fora da contagem oficial. Se os desaparecidos forem confirmados mortos, a tragédia pode se aproximar do terremoto de abril de 2015, que deixou cerca de 9.000 mortos no país.

Para o Brasil, o dado mais direto está nas listas de desaparecidos: nenhum brasileiro aparece nos balanços compilados pelo departamento de turismo do Nepal e por embaixadas, que incluem 275 indianos, mais 128 pessoas de origem indiana, e 85 norte-americanos, segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos, além de 62 ucranianos, 51 malaios, 42 australianos e 33 britânicos. O desastre também chega a uma agenda que o Brasil ajudou a encabeçar: como anfitrião da conferência climática da Organização das Nações Unidas (COP30), em Belém, em novembro de 2025, o país colocou o financiamento para nações vulneráveis a eventos extremos no centro do debate. É um problema que o Brasil conhece de perto: as enchentes do Rio Grande do Sul, em 2024, deixaram mais de 180 mortos.

Uma fronteira de interesses

A tragédia expõe os interesses que se cruzam nessa faixa do Himalaia. O Nepal apostou na última década em um auge de hidrelétricas no distrito de Rasuwa, na fronteira com o Tibete, atraído pela água dos rios escarpados e pela proximidade com a China, e a expansão atraiu trabalhadores de todo o país; segundo o jornal The New York Times, citado pela BBC News Brasil, o capital chinês responde por muitos desses projetos. Pequim, que controla o Tibete e divulga as vítimas da região pela imprensa estatal, enviou especialistas às buscas, ao lado de equipes da Índia e da Coreia do Sul. Nova Délhi acompanha de perto: os indianos formam uma das maiores proporções entre os estrangeiros desaparecidos. Entre os não localizados no Nepal estão 639 trabalhadores vinculados a projetos hidrelétricos, segundo a BBC.

Corrida contra o tempo nos túneis

As buscas se concentram no complexo de hidrelétricas onde centenas de trabalhadores podem estar presos. A onda de água e lama destruiu cerca de 13 projetos ao longo dos rios Bhote Koshi e Trishuli, e as suspeitas recaem sobre a usina Trishuli-3A, construída entre 2011 e 2019, cujo túnel de adução tem mais de 4 km de extensão. Cerca de 90 socorristas usam maquinaria pesada, drones, cães e explosões controladas para abrir caminho; eles abriram um acesso de cerca de 10 metros de profundidade e lançaram mensagens pela abertura, mas "não receberam resposta do lado interno", informou o escritório do primeiro-ministro. Cerca de 300 trabalhadores já foram resgatados. "Estes túneis são suficientemente grandes para a passagem de caminhões. Existe espaço suficiente para que as pessoas se refugiem ali", disse à imprensa o professor Jakob Steiner, da Universidade de Graz, na Áustria. Sita Pandey, cujo marido trabalhava na Trishuli-3A, disse ao jornal nepalês Kantipur: "Ainda tenho 50% de esperança de que ele esteja vivo, pois existe um sistema de oxigênio no lado interno".

A causa exata do colapso da geleira ainda não está clara, mas cientistas citados pelo G1 apontam que o Himalaia, a maior cordilheira do mundo, derrete de forma acelerada com o aumento das temperaturas globais, o que eleva o risco de catástrofes desse tipo. O primeiro-ministro Balendra Shah disse que a avalanche da semana passada "não foi um evento comum", a atribuiu às mudanças climáticas e exigiu medidas internacionais. Enquanto isso, centenas de famílias seguem nas portas das usinas à espera de notícias dos desaparecidos.

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