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Trump ordenou a negociadores dos EUA buscar acordo com o Brasil, diz ministro

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BAPor Beatriz Antunes•31 de agosto de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, G1

Cerca de um mês depois de impor sobretaxas que somam 37,5% sobre produtos brasileiros, o governo dos Estados Unidos deu nesta segunda-feira (31) um sinal de abertura na disputa comercial com o Brasil. Em reunião virtual entre Brasília e Washington, o representante de Comércio americano, Jamieson Greer, transmitiu aos ministros brasileiros que o presidente Donald Trump "orientou e ordenou" que a equipe da Casa Branca dialogasse para um acordo com o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo relatou o ministro Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

"Reconhecemos, ambos, que estamos diante de um novo cenário, de novas bases para trabalharmos para esse acordo", disse Elias Rosa a jornalistas, no ministério, em Brasília. Também participaram do encontro o chanceler Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e demais integrantes dos dois governos. Segundo a Folha de S.Paulo, a reunião não trouxe avanço em pontos concretos, e nenhum setor específico ou eventual concessão foi discutido.

O que muda para o Brasil

A mudança de tom interessa de perto aos exportadores brasileiros, que hoje pagam mais para vender no mercado americano. Até julho, as conversas partiam da tentativa de impedir a adoção das sobretaxas; agora, com as medidas em vigor, o argumento do governo brasileiro é de que a relação tarifária ficou desequilibrada a favor dos Estados Unidos. A avaliação é do próprio Elias Rosa:

"Hoje, a verdade é que, com a aplicação dos 37,5%, nós temos um desequilíbrio ainda maior em favor deles. Qualquer concessão da parte do Brasil só aumentará o déficit para o Brasil."

A leitura de cada lado segue distante. Segundo o G1, os Estados Unidos aplicaram 25% adicionais sobre produtos brasileiros após investigações conduzidas ao amparo da Seção 301 da lei de comércio americana, com a alegação de que o Brasil adota práticas desleais contra empresários americanos em seis setores, entre eles Pix, desmatamento, propriedade intelectual e etanol. Outros 12,5% foram somados sob o argumento de que dezenas de países, o Brasil incluído, falharam em proibir ou fiscalizar a importação de mercadorias produzidas onde há trabalho forçado. Em nota conjunta, os ministérios de Relações Exteriores e de Desenvolvimento afirmaram que o Brasil "não concorda com as medidas unilaterais", incompatíveis com as regras multilaterais de comércio, e que as justificativas da Seção 301 "não correspondem às efetivas práticas brasileiras", num tratamento "injusto" e "discriminatório". O país também acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Os próximos passos

Equipes técnicas dos dois países devem voltar a se reunir nos próximos dias, e novos encontros, virtuais e presenciais, estão previstos para as próximas semanas, segundo a nota divulgada pelos ministérios. A conversa desta segunda foi acertada depois de um telefonema entre Lula e Trump, em 21 de agosto, no qual o presidente brasileiro classificou como "infundadas" as justificativas apresentadas pelo USTR (representação comercial dos Estados Unidos, na sigla em inglês) para recomendar o tarifaço.

Elias Rosa disse manter otimismo. Na sua leitura, depois do telefonema dos presidentes, "parece haver, de fato, uma orientação clara do governo americano para que haja um acordo com o Brasil. Um acordo que reequilibre a relação e a política tarifária". Segundo o G1, diplomatas brasileiros não esperam, nos bastidores, que a ação na OMC reverta sozinha as tarifas; para o governo, o resultado mais concreto da reunião foi a retomada formal do diálogo. "Hoje, a boa notícia é: retomamos o diálogo para uma negociação. Isso é muito importante", disse o ministro.

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