O Ministério da Defesa autorizou a entrada e a permanência temporária de 115 militares estrangeiros no Brasil para o Exercício Formosa 2026, treinamento anual conduzido com as Forças Armadas brasileiras no Campo de Instrução de Formosa, em Goiás. O despacho, assinado pelo ministro José Múcio Monteiro Filho, foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) na quarta-feira (26), segundo reportagens do G1 e do Poder360.
O contingente autorizado reúne 55 militares dos Estados Unidos, 40 da França e 20 do Paraguai. Além do pessoal, poderão entrar no país armamentos, munições, equipamentos optrônicos e materiais de comunicação necessários às atividades. O treinamento será realizado entre 3 e 25 de setembro, em áreas de Goiás e do Distrito Federal, de acordo com o texto publicado no DOU.
Para o Brasil, o exercício reúne em um mesmo campo de instrução três perfis distintos de parceiro militar. Os Estados Unidos mantêm há décadas acordos de cooperação em defesa com o país, enquanto a França, que assim como os americanos integra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), é vizinha territorial do Brasil pela Guiana Francesa e fornecedora tradicional de equipamentos às Forças Armadas. O Paraguai, por sua vez, é sócio do Brasil no Mercosul e divide uma extensa fronteira terrestre com Goiás e outros estados. Exercícios combinados desse tipo são prática rotineira entre os países e exigem, pela legislação brasileira, autorização formal do governo para a entrada de tropas e material bélico estrangeiro.
Um treinamento com quase quatro décadas de história
O Exercício Formosa é realizado pela Marinha do Brasil desde 1988 e reproduz situações de combate em diferentes cenários, com o objetivo de manter os fuzileiros navais aptos a atuar de forma imediata. O Campo de Instrução de Formosa pertence ao Exército e é cedido anualmente à Marinha. Com cerca de 114 mil hectares, é o único local do país com estrutura para o lançamento de foguetes do Sistema de Artilharia de Foguetes para Saturação de Área (Astros), segundo o Exército, que usa a área para treinamentos desde a década de 1960.
Desde 2021, o exercício passou a contar também com a participação do Exército e da Força Aérea Brasileira. Foi naquele ano que o treinamento ganhou repercussão política: pela primeira vez, um comboio de veículos blindados da Força de Fuzileiros da Esquadra atravessou Brasília no mesmo dia em que o Congresso votava uma proposta de emenda à Constituição, e um convite foi entregue pessoalmente ao então presidente Jair Bolsonaro. A oposição à época interpretou a movimentação como uma tentativa de constranger o Legislativo, o que a Marinha negou, conforme registrou o Poder360.
O despacho do Ministério da Defesa foi encaminhado ao Ministério das Relações Exteriores, aos Comandos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica e às embaixadas dos três países em Brasília. A presença das tropas estrangeiras é temporária e está limitada ao período e às finalidades do exercício.