A coluna de Mariana Barbosa no UOL Economia detalhou nesta sexta-feira (28) as ligações societárias e financeiras entre o Banco Master e a Oncoclínicas, maior rede privada de tratamento de câncer do país. Segundo a coluna, a Oncoclínicas entrou para o portfólio do Master em 2024, quando o banco adquiriu ações da companhia em uma operação de aumento de capital. A relação, porém, corria nos dois sentidos: enquanto o banco virava acionista da rede de saúde, a empresa aplicava parte de seu caixa em títulos emitidos pela própria instituição financeira.
No lado societário, as ações da Oncoclínicas ligadas ao Master aparecem sob a guarda dos fundos de investimento em participações Tessália e Quíron, conforme apurou o Economic News Brasil. No lado financeiro, a exposição é mais pesada. A companhia tinha R$ 478,2 milhões aplicados em CDBs do Master, segundo balanço do terceiro trimestre de 2025 reportado pelo NeoFeed. O dinheiro saía do caixa da rede de clínicas e financiava o banco que, ao mesmo tempo, detinha papéis da empresa.
O acordo e a liquidação
Com a crise de liquidez do Master, que passou a ter dificuldades de captação ao oferecer juros acima da média do mercado, a Oncoclínicas renegociou os papéis. O acordo, confirmado em 22 de outubro de 2025, previu o resgate dos cerca de R$ 478 milhões em 20 parcelas mensais, entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões cada, até maio de 2027, com a remuneração original mantida, segundo o Economic News Brasil. O pacto também previa que a companhia poderia recomprar cotas dos fundos Tessália e Quíron quando os FIPs fossem liberados para negociação.
O arranjo não resistiu. Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do grupo financeiro controlado por Daniel Vorcaro. No balanço do terceiro trimestre, a Oncoclínicas já havia provisionado R$ 217 milhões para eventuais perdas com os CDBs. Segundo o NeoFeed, a liquidação acionou o contrato firmado entre as partes e autorizou a empresa a executar as garantias atreladas aos títulos: ações do próprio Vorcaro na Oncoclínicas.
O mercado cobrou caro a proximidade. As ações da Oncoclínicas (ONCO3) caíram de cerca de R$ 13 no fim de 2023 para perto de R$ 2 em outubro de 2025, movimento que o Economic News Brasil atribui à preocupação dos investidores com a exposição ao Master. Do lado do banco, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) chegou a liberar R$ 4 bilhões para sustentar as operações, mas o Banco Central vetou a entrada do Banco de Brasília (BRB) como sócio, e a instituição acabou liquidada.
Para a companhia e seus acionistas, o que está em jogo agora é a execução das garantias e o ritmo de recuperação dos quase R$ 500 milhões, além da recomposição do quadro societário com a eventual recompra das cotas dos fundos. Para pacientes e planos de saúde que usam a rede, as clínicas seguem operando, mas a capacidade de investimento da empresa depende de quanto desse dinheiro ela conseguirá reaver e a que custo.