O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, candidato à Presidência pelo PSD, comparou nesta terça-feira (25) uma eventual anistia ampla e geral aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 à anulação de sentenças por corrupção contra o presidente Lula (PT), segundo reportagem da Folha de S.Paulo. A declaração foi dada durante entrevista a Caiado na Globo, dentro da série de sabatinas do Jornal Nacional com os principais candidatos à Presidência em 2026, conduzida pelos apresentadores Renata Vasconcellos e César Tralli.
Caiado afirmou que, se eleito, encaminhará um projeto de anistia geral e irrestrita aos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes em Brasília, argumentando que a medida ajudaria a pacificar o país. Segundo ele, o perdão seria equivalente ao que classificou como concessão do STF a Lula, dizendo que pretende agir da mesma maneira que, de uma forma especial, o Supremo também concedeu ao presidente Lula.
A comparação feita pelo candidato contém uma imprecisão factual apontada pela própria Folha: Lula não foi anistiado pelo STF. O tribunal anulou as condenações do petista na Operação Lava Jato em 2021 por identificar nulidades processuais, entre elas a parcialidade do então juiz Sergio Moro, e não por meio de um ato de perdão político como o que Caiado propõe para os condenados do 8 de Janeiro.
Durante a entrevista, o candidato do PSD também disse nunca ter contestado resultados eleitorais e se declarou democrata. Para justificar a anistia aos golpistas, ele citou precedentes históricos de perdão no país, mencionando como exemplo a anistia concedida pelo então presidente Juscelino Kubitschek na década de 1950, e afirmou que o traço do brasileiro não é de construir o ódio.
Economia e segurança pública
Questionado sobre medidas econômicas, Caiado evitou detalhar como pretende reformular a idade das aposentadorias ou conduzir o ajuste fiscal, alegando não ter condição de detalhar minúcias no momento. Disse pretender limitar as despesas públicas a no máximo 50% do PIB, corrigidas pela inflação, por meio de emenda a ser enviada no primeiro dia de um eventual governo. Ele também reafirmou sua proposta de segurança pública, batizada de SulPol, uma força policial conjunta com países vizinhos do Brasil inspirada na Europol, agência de cooperação policial da União Europeia, dizendo pretender negociar com presidentes de países limítrofes a realização de prisões conjuntas.