O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, reafirmou nesta terça-feira (25) que, se eleito, vai encaminhar ao Congresso um projeto de anistia 'geral e ampla' aos condenados pela tentativa de golpe de 8 de Janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A declaração foi dada em entrevista à TV Globo, nos estúdios da emissora no Rio de Janeiro, conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, dentro de uma série de sabatinas com candidatos à Presidência em 2026, segundo o G1.
Caiado comparou a medida à anulação das condenações da Lava Jato contra o presidente Lula (PT) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021, que restabeleceu os direitos políticos do petista. 'Da mesma maneira, de uma forma especial, o Supremo concedeu uma anistia ao ex-presidente Lula', disse o candidato, segundo o G1. A Folha de S.Paulo, porém, observou que a comparação é imprecisa: Lula não foi anistiado pelo STF, que anulou as condenações da Operação Lava Jato por identificar nulidades processuais, e não por ato de perdão. Lula ficou preso por 580 dias após ser condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá, sendo solto em novembro de 2019.
Sobre o ajuste fiscal, Caiado prometeu enviar ao Congresso, já no primeiro dia de um eventual governo, uma proposta de emenda constitucional para limitar o crescimento das despesas do governo federal à inflação mais 50% da variação do Produto Interno Bruto (PIB). Questionado por Tralli e Vasconcellos sobre os cálculos que embasam a meta, o candidato pediu 'calma' e comparou a situação fiscal do país à de uma vítima de atropelamento que ainda não foi examinada. Segundo a Folha, Caiado evitou responder diretamente se pretende mudar a idade mínima de aposentadoria e afirmou não ter 'condição de detalhar minúcias' nesse momento. Ele também classificou o atual arcabouço fiscal como uma 'grande farsa' e disse que fará cortes na administração pública, incluindo o Legislativo, o Judiciário e o Tribunal de Contas da União (TCU).
Segurança pública e Previdência
Em segurança pública, o ex-governador de Goiás voltou a defender a criação de uma força policial transnacional entre países da América Latina, batizada de SulPol nos moldes da Europol, agência de cooperação policial da União Europeia, segundo a Folha. De acordo com o G1, Caiado argumentou que a maioria dos governos da região hoje é de centro-direita, citando Argentina e Colômbia como exemplos, e afirmou que o Brasil se tornou o 'maior hub de narcotráfico' da região, com atuação de facções brasileiras, colombianas e mexicanas. A proposta prevê que a força conjunta possa realizar prisões em território brasileiro e nos demais países participantes, entregando os detidos às autoridades locais, além de ampliar o compartilhamento de inteligência entre os países.
Sobre o salário mínimo, Caiado disse que pretende preservar o poder de compra de trabalhadores e aposentados e prometeu cortar 'salários abusivos' no serviço público como forma de dar o exemplo. Já sobre a reforma da Previdência, evitou detalhar propostas próprias, afirmando que buscaria as 'melhores cabeças' do país para formular sugestões, em referência ao economista Bernard Appy, responsável pela reforma tributária.
Caiado defendeu o fim da polarização política como condição para pacificar o país. 'Nós precisamos acabar com essa polarização, nós temos que pacificar o país. Ninguém aguenta mais essa situação', afirmou, segundo o G1. A entrevista faz parte de uma série de sabatinas da TV Globo com candidatos à Presidência realizadas entre os dias 24 e 29 de agosto.