O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), candidato à Presidência da República, defendeu nesta terça-feira (25) uma anistia "ampla, geral e irrestrita" aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, durante entrevista à TV Globo. A sabatina, conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli no programa especial sobre as eleições de 2026, foi ao ar logo após o Jornal Nacional, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. Caiado foi o segundo dos seis principais candidatos a participar da série de entrevistas, que começou no dia anterior com Romeu Zema (Novo) e segue até o dia 29 com Renan Santos (Missão), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o escritor Augusto Cury (Avante).
Segundo a Folha de S.Paulo, Caiado afirmou que pretende enviar um projeto de anistia ampla, que incluiria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como forma de "pacificar o país". Ele comparou a medida à anulação, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), das condenações de Lula na Operação Lava Jato, dizendo que faria "da mesma maneira que, de uma forma especial, o Supremo também concedeu ao presidente Lula". A comparação é imprecisa: Lula não foi anistiado pelo STF, que em 2021 anulou os processos por identificar nulidades, entre elas a suspeição do então juiz Sergio Moro, e não por conceder perdão político aos crimes imputados a ele.
Candidato disse nunca ter contestado o resultado de eleições e se declarou democrata. Para justificar a anistia aos golpistas, citou o que chamou de tradição brasileira de perdões políticos, mencionando como exemplo uma medida assinada pelo então presidente Juscelino Kubitschek nos anos 1950. "O traço do brasileiro não é de construir o ódio", disse, segundo a Folha.
Ajuste fiscal sem detalhes
Questionado sobre medidas econômicas, Caiado não respondeu diretamente se pretende alterar a idade mínima de aposentadoria nem como faria o ajuste das contas públicas. "Não tenho condição de detalhar minúcias", afirmou. Ele disse que sua meta é limitar as despesas públicas a, no máximo, 50% do Produto Interno Bruto (PIB), corrigidas pela inflação, e que enviaria uma emenda ao Congresso com essa proposta já no primeiro dia de governo, caso eleito.
Na área de segurança pública, o candidato voltou a defender a criação de uma força policial conjunta com países vizinhos do Brasil, batizada de SulPol, inspirada na Europol, agência de cooperação policial da União Europeia. Segundo o G1, que também acompanhou a entrevista ao vivo, Caiado foi questionado sobre a participação de militares na tentativa de golpe e sobre o chamado "Punhal Verde e Amarelo", plano das forças golpistas para assassinar Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes.
De acordo com o agregador de pesquisas da BBC News Brasil, que reúne levantamentos de institutos como Datafolha, Quaest, AtlasIntel e MDA, Caiado aparecia em terceiro lugar na corrida presidencial na terça-feira, com 5% das intenções de voto no primeiro turno, atrás de Lula, com 40%, e Flávio Bolsonaro, com 34%. Os seis candidatos entrevistados na sabatina da Globo foram escolhidos por serem os mais bem colocados na pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto.