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Campanha de Lula leva ao TSE suspeita de ação coordenada sobre preço dos alimentos

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MRPor Marina Rocha•24 de agosto de 2026•Fontes: Diário do Centro do Mundo

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu levar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma suspeita de divulgação em massa de vídeos e imagens sobre o preço dos alimentos, classificada como ação coordenada e inautêntica. A informação foi publicada nesta segunda-feira (24) pela coluna de Daniela Lima, no UOL, e repercutiu em veículos como Brasil 247 e Diário do Centro do Mundo.

O levantamento preparado pelo PT lista mais de 20 influenciadores e aponta o uso de roteiros e arquivos de imagem idênticos em postagens contra o petista. A suspeita é que perfis impulsionados por lideranças do PL, partido do senador Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula na eleição de 2026, tenham atuado de forma coordenada para espalhar mensagens sobre a carestia.

Roteiro repetido e foto de contrafilé em 33 contas

Segundo o Diário do Centro do Mundo, o documento que a campanha pretende apresentar à Justiça Eleitoral sustenta que as coincidências entre os conteúdos vão além do tema. "É o roteiro. O mesmo lugar de gravação, o mesmo objeto em quadro, o mesmo gesto e a mesma estrutura de fala", diz o relatório, que identificou uma mesma estrutura em sete postagens de seis perfis. Uma fotografia de um pedaço de contrafilé com o mesmo código de barras na etiqueta circulou por 33 contas; em 25 de junho, três delas publicaram o arquivo num intervalo de seis minutos e 23 segundos.

O material reúne ainda nove registros em que criadores de conteúdo descrevem benefícios concretos obtidos após as publicações, como aumento de seguidores, acesso pessoal a políticos, status ou benfeitorias físicas. Uma mulher do Rio Grande do Norte afirma, em um dos vídeos, que recebeu uma televisão depois de expor sua situação nas redes: "Eu ganhei essa TV aqui porque eu fui lá falar sobre a pobreza do país, porque eu mostrei a pobreza aqui na minha casa nas redes sociais". O levantamento cita também três moções de congratulação apresentadas por um vereador do PL, em 5 de março de 2026, a três influenciadores incluídos na lista. Parte dos influenciadores relatou em suas próprias páginas ter recebido doações de empresários e de canais bolsonaristas após publicar ataques ao governo.

Do outro lado, o PL também acionou o TSE contra perfis que acusa de divulgar conteúdos falsos e manipulados contra Flávio Bolsonaro. Em uma das ações, a legenda apontou 409 perfis que teriam atuado de forma coordenada. A assessoria do senador afirmou que a Justiça determinou o bloqueio de contas e que a Meta, dona de Facebook e Instagram, pediu mais prazo para cumprir as ordens diante do volume de material.

Os conteúdos sobre supermercado e preço dos alimentos se tornaram uma das principais frentes da disputa entre petistas e bolsonaristas nas redes sociais, em uma campanha em que o custo de vida é um dos temas centrais. Caberá ao TSE decidir se abre investigação sobre o material apresentado pela campanha de Lula.

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