O comando da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai usar o horário eleitoral de TV e rádio e as redes sociais para explorar a divulgação, nesta sexta-feira (11), de informações sobre o inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que tem o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entre os investigados no caso do financiamento do filme "Dark Horse". Segundo o blog de Valdo Cruz, do G1, uma das peças já prontas resume a tese petista: "Justiça confirma: Flávio Bolsonaro é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro no Dark Horse". Outras estão sendo produzidas para reforçar que o candidato do PL é investigado pessoalmente no caso, relatam integrantes da campanha.
O inquérito foi pedido pela Polícia Federal, recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República e foi autorizado em julho pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no tribunal. Nesta sexta, Mendonça derrubou o sigilo de parte dos documentos, a pedido do presidente do STF, Edson Fachin. Segundo o G1, constam do processo informações de que Flávio atuou para obter junto ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master, cerca de R$ 70 milhões para o projeto, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Documentos liberados mostram que Vorcaro repassou R$ 61 milhões aos produtores por meio de um fundo nos Estados Unidos.
Leitura interna da campanha
A decisão de transformar o inquérito em peça de campanha nasce do desgaste provocado pela crise entre o STF e o Banco Master. Integrantes da equipe petista avaliam que a proximidade política de Lula com o ministro Alexandre de Moraes arrastou o presidente para o debate público em torno do tema, relata o G1. Na avaliação dos coordenadores, a divulgação da investigação contra Flávio oferece uma oportunidade de deslocar parte do foco político e atingir diretamente o principal adversário do presidente.
"O Lula não é investigado. O Flávio Bolsonaro é investigado. Vamos bater nesta tecla para mostrar a diferença entre os dois candidatos nesta crise do Banco Master."
A frase veio de um dos coordenadores da campanha presidencial, em conversa com o blog do G1. A leitura interna tem eco em outro veículo: segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, após semanas de preocupação com o crescimento de Flávio nas pesquisas, a campanha considera que as revelações sobre o inquérito devem interromper a onda favorável do senador.
Flávio nega irregularidades. Na véspera, a PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão na Operação Make Up, que apura suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares e mira o deputado Mario Frias (PL-SP) e a produtora de "Dark Horse", Karina Ferreira da Gama. Em transmissão ao vivo no YouTube, o candidato acusou o ministro Flávio Dino, relator dessa ação, de agir politicamente para prejudicá-lo na eleição e defendeu o filme. "Com toda a tranquilidade do mundo, mais uma vez, não tem nada de errado com o filme do Bolsonaro. Pode revirar do avesso, pode puxar de cima para baixo, de trás para frente, de um lado para o outro. Ali foi tudo redondinho, investimento privado num filme privado", afirmou, segundo a BBC News Brasil.
As peças começam a circular nas próximas inserções do horário eleitoral, a menos de um mês do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. O restante do inquérito segue sob sigilo no STF.