A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou neste sábado (29) quatro representações no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra adversários na eleição presidencial. Os alvos são os presidenciáveis Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), além do vereador de São Paulo Lucas Pavanato (PL). Segundo a Folha de S.Paulo, as peças tratam de informações falsas, uso de inteligência artificial, ofensas e abuso de poder.
As ações foram assinadas pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PC do B. O pedido mais duro recai sobre a Festa do Peão de Barretos, no interior de São Paulo, um dos maiores festivais do gênero na América Latina.
O caso Barretos
Na representação sobre o festival, a coligação de Lula afirma que a chapa do PL usou estrutura profissional de som e luz e reuniu 60 mil pessoas em um "showmício" disfarçado, custeado e patrocinado por empresas privadas e órgãos estatais. Para a campanha, o episódio configuraria financiamento empresarial indevido. A federação pede a cassação do registro de candidatura da chapa e a declaração de inelegibilidade de Flávio.
Segundo a Folha, Flávio subiu ao palco acompanhado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição. Ele disse à plateia que "todos que acreditam em Deus" sabem que o agronegócio é o coração do país e se apresentou como futuro presidente. O locutor do evento o anunciou como "nosso candidato à Presidência do Brasil", e o público gritou "Lula, ladrão, seu lugar é na prisão". O jornal afirma ter procurado a assessoria do senador e a organização da festa por WhatsApp, sem retorno.
A escalada no tribunal
A ofensiva começou antes do sábado. Na quarta-feira (26), a equipe jurídica de Lula apresentou ao TSE duas representações contra Renan Santos (Missão) e Caiado por falas no primeiro debate presidencial, do qual o petista não participou, segundo a CNN Brasil. Os pedidos incluem a remoção dos conteúdos das redes sociais e multa de R$ 30 mil a cada candidato. O advogado Ricardo Penteado, que representa a campanha de Caiado, respondeu em nota: "É uma desfaçatez que, além de recusar-se a responder às críticas que lhe foram feitas, queira calar seu adversário com essa tentativa de censura. Evidentemente, a Justiça brasileira não o atenderá."
As quatro representações protocoladas no sábado agora aguardam decisão dos ministros do TSE. A campanha de Flávio já havia acionado o tribunal na quinta-feira (27) para questionar o uso do Palácio do Alvorada, residência oficial da Presidência, para fins eleitorais por Lula. O primeiro turno da eleição presidencial está marcado para 4 de outubro.