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CNBB cobra esclarecimentos sobre crise no STF e defende 'justiça sem privilégios'

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MRPor Marina Rocha•11 de setembro de 2026•Fontes: CNBB, Correio Braziliense, g1

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) cobrou esclarecimentos sobre a crise que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal e outras instituições da República. Em mensagem divulgada na quinta-feira (10), a entidade defendeu que eventuais irregularidades sejam investigadas com independência, transparência e respeito às garantias constitucionais, e resumiu sua posição com uma expressão: "justiça sem privilégios".

A crise envolve uma disputa dentro do próprio STF sobre o sigilo de investigações ligadas ao caso Master, incluindo conversas de ministros da Corte. O ministro André Mendonça derrubou o sigilo de parte do material, e os ministros divergem sobre o que deve ser tornado público e sobre a forma de julgamento do caso, segundo reportagem do g1.

No documento, a CNBB afirmou que a situação exige "serenidade, responsabilidade e respostas institucionais claras". A nota conclama "os Poderes da República, suas autoridades e toda a sociedade" a esclarecer os fatos, segundo a coluna Brasília-DF do Correio Braziliense. "A independência e o equilíbrio entre os Poderes são condições indispensáveis para a preservação da justiça, da liberdade e da paz social", diz o texto.

'Ninguém pode estar acima da lei'

"Ninguém pode estar acima da lei, assim como ninguém deve ser previamente condenado sem que lhe sejam assegurados o direito de defesa e as garantias constitucionais."

A entidade sustentou que a defesa das instituições democráticas não pode impedir investigações. Para a CNBB, a credibilidade das instituições aumenta quando os fatos são examinados de forma independente, imparcial e transparente. A conferência defendeu que questões de grande relevância institucional sejam analisadas pelo plenário do STF de maneira colegiada e pública, para que a sociedade acompanhe os processos e conheça os fundamentos das decisões. Sobre o tribunal, considerou necessário fortalecer medidas de responsabilidade ética e prevenção de conflitos de interesse, e defendeu que o Código de Ética em elaboração no STF receba o devido encaminhamento institucional, com parâmetros claros de conduta.

Nota em ano eleitoral

A mensagem chega no meio da campanha eleitoral de 2026. Segundo o g1, a CNBB afirmou que crises institucionais não devem ser usadas para ampliar a desconfiança da população nem servir a interesses político-partidários, e defendeu condições para eleições livres e confiáveis. "Divergências legítimas não podem alimentar a desconfiança generalizada nas instituições", disse a entidade. A coluna do Correio Braziliense acrescenta que o PT pretende ser mais enfático na defesa de sua proposta de reforma do Judiciário, com mandatos para tribunais a partir da segunda instância.

A mensagem foi assinada pelo presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre, pelos vice-presidentes dom João Justino de Medeiros Silva e dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa, e pelo secretário-geral, dom Ricardo Hoepers. O próximo passo fica com o STF: os ministros ainda têm de definir o que mais será divulgado e como o caso será julgado, sob pressão crescente por sessões públicas no plenário.

Na conclusão, a CNBB escreveu que "o Brasil necessita de verdade sem manipulação, de justiça sem privilégios, de instituições que sirvam ao bem comum, de lucidez e paz". E completou: "A verdade não enfraquece as instituições. Quando buscada com justiça, transparência, humildade e respeito à lei, fortalece-as e fortalece a própria democracia."

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