A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) abriu o debate sobre a sucessão do ministro Edson Fachin na presidência da corte. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, ministros já avaliam a possibilidade de quebrar uma tradição de 57 anos: o rodízio da presidência por ordem de antiguidade.
A eleição está prevista para agosto de 2027. Pela tradição, os próximos da fila seriam Alexandre de Moraes, para a presidência, e Kassio Nunes Marques, para a vice. Os dois estão no foco do caso Master por supostos elos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, informa a Folha.
Votação secreta
A eleição costuma ser simbólica, mas a votação é secreta, e ministros de alas rivais não descartam surpresas. Um ministro do grupo de Kassio afirmou ao jornal que, se a eleição ocorresse hoje, não se sentiria à vontade para votar em Moraes como novo presidente. Um aliado de Moraes disse que não votaria em Kassio para a vice. Ambos avaliam que a disputa ainda está distante e que é preciso esperar o andamento das apurações.
O caso Master já movimenta o tribunal. Nesta quinta-feira (24), o ministro Flávio Dino determinou que a Polícia Federal investigue suposta omissão da CVM no caso, com primeiro relatório em até 60 dias, segundo o G1. Nunes Marques também é o relator da revisão criminal do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses pela trama golpista, informa o InfoMoney.
Fevereiro no Senado
Um ponto de inflexão é esperado para fevereiro, quando o Congresso eleito em outubro passa a eleger a mesa diretora do Senado. O presidente da Casa decide se dá andamento a pedidos de impeachment contra ministros do STF. O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) disse à Folha que confia em eleger um presidente do Senado alinhado à pauta do impeachment de ministros. Já Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), atual dirigente, deve ter apoio do governo Lula e do centrão para continuar no cargo a partir de 2027. Ele é contra dar sequência ao afastamento de magistrados.
Mesmo que os processos não avancem no Senado, a leitura dos ministros do Supremo é de que a eleição de Moraes e Kassio dependerá do estágio dos inquéritos do Master e da decisão do plenário sobre a abertura de investigação. A votação da corte está prevista para agosto de 2027. Antes disso, em fevereiro, o Senado define quem presidirá a Casa responsável pelos pedidos de impeachment contra ministros.