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Datafolha: 76% dizem que ministros do STF têm poder demais

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MRPor Marina Rocha•14 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, G1

A maioria dos brasileiros considera que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm poder demais. 76% dos entrevistados pela Datafolha concordam com a afirmação, e 18% discordam. A pesquisa foi divulgada neste sábado (12), no meio da crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. O levantamento, encomendado pela Folha de S.Paulo e pela Globo, ouviu 2.002 pessoas de 16 anos ou mais em 125 cidades entre os dias 8 e 10 de setembro.

No mesmo questionário, 71% disseram que o tribunal é essencial para proteger a democracia no Brasil, e 21% discordaram. Sobre a confiança, 77% concordaram que "as pessoas acreditam menos no STF agora do que no passado", contra 16% que discordaram. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%, segundo o G1. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é BR-01833/2026.

A crise atrás dos números

A coleta ocorreu sob o impacto do que a Folha chama de momento mais complexo do tribunal em 135 anos de República. Em 1º de setembro, Mendonça, relator do caso do banco Master, tornou público relatório da Polícia Federal (PF) com mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro a um contato atribuído pelos investigadores a Moraes. Segundo o jornal, o documento inclui um contrato de R$ 131 milhões de Vorcaro com o escritório da mulher de Moraes. A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a nulidade do relatório, e o plenário do STF decidirá os próximos passos.

Em 3 de setembro, Moraes citou relatórios internos da PF para sustentar que há indícios de irregularidades na atuação de Mendonça, entre elas improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O G1 informou que esses documentos traziam ressalvas de que não havia valor probatório nas informações. O presidente do STF, Edson Fachin, retirou de Moraes a relatoria do inquérito das fake news. No dia 8, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. O ministro Flávio Dino ordenou a reintegração no dia seguinte, e Fachin suspendeu as duas decisões, mantendo Andrei no cargo. Em manifestação enviada a Fachin na sexta (11), Andrei negou que a PF tenha monitorado Mendonça e afirmou que os relatórios foram produzidos de forma regular pela área de inteligência.

Segundo a Folha, os índices da nova rodada são semelhantes aos de abril, quando o Datafolha fez as mesmas perguntas, o que sugere que a crise ainda não mudou a opinião pública. O próximo passo está marcado para a terça-feira (15). Fachin convocou sessão extraordinária do plenário para discutir o relatório da PF sobre as mensagens de Vorcaro a Moraes e o encaminhamento do caso, e determinou a abertura integral dos documentos do Master sob a relatoria de Mendonça antes da sessão.

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