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DataTempo: Flávio fica numericamente à frente de Lula em 2º turno em Minas pela 1ª vez

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PCPor Paula Cardoso•19 de setembro de 2026•Fontes: O Tempo, Didi Galvão

Pela primeira vez na série de pesquisas DataTempo deste ano, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente do presidente Lula (PT) em um eventual segundo turno da eleição presidencial entre eleitores de Minas Gerais. Na quarta rodada do levantamento, divulgada na sexta-feira (18) pelo jornal O Tempo, o senador soma 43% das intenções de voto, contra 41,9% do petista. A diferença de 1,1 ponto percentual está dentro da margem de erro, de 3,1 pontos para mais ou para menos, e por isso o resultado é um empate técnico. As entrevistas foram feitas entre 9 e 12 de setembro.

No cenário estimulado de primeiro turno, Lula segue numericamente à frente, com 35,6% contra 31,2% de Flávio, também com empate técnico. O dado mais consistente da série é a trajetória: em agosto, o presidente tinha 36% e o senador, 28%. A distância entre os dois caiu de 8,0 para 4,4 pontos percentuais em cerca de um mês. No embate direto simulado pela terceira rodada, Lula registrava 42,4% contra 40,9% de Flávio.

Por que a diferença pode ter mudado

A doutora em ciência política Mariela Rocha, analista sênior de pesquisa do instituto, apresenta uma hipótese para o movimento: o início da propaganda eleitoral, entre agosto e setembro. A ressalva vem da própria especialista, já que o questionário não pergunta ao eleitor o motivo do voto, e a explicação segue preliminar.

"Entre agosto e setembro, entramos em uma fase de maior exposição das candidaturas, com propaganda eleitoral e uma sucessão de acontecimentos políticos que podem influenciar a formação das opiniões e preferências dos eleitores. O movimento observado na pesquisa é compatível com esse processo de maior definição da disputa."

No cenário espontâneo, sem lista de nomes, Lula tem 30,5% das menções e Flávio, 24,4%, com pequena sobreposição entre os intervalos. A indefinição segue alta: 25,6% do eleitorado não indicou espontaneamente nenhum candidato. Entre os demais nomes, houve troca de posição no cenário estimulado, com o psiquiatra Augusto Cury (Avante) a 6,8% e o ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo) a 3,9%; em agosto, os números eram 0,9% e 9,8%. O relatório pede cautela nessa leitura, porque os intervalos das duas rodadas ainda se sobrepõem. "Cury pode estar se beneficiando de uma fase de maior exposição e conhecimento de sua candidatura, ao mesmo tempo em que Zema perde espaço nesse segmento da disputa em Minas Gerais", diz Mariela Rocha.

Metodologia e limites

A pesquisa foi contratada pela Sempre Editora, controladora do O Tempo, e consistiu em 1.000 entrevistas domiciliares presenciais. O intervalo de confiança é de 95% e os registros na Justiça Eleitoral são MG-00468/2026 e BR-02329/2026. Dois limites precisam estar claros. O universo ouvido é o eleitorado de Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, e não uma amostra nacional. E o que a pesquisa confirma são os percentuais desta rodada; a explicação sobre o efeito da campanha é uma hipótese da analista, levantada fora do questionário.

Para ler qualquer pesquisa nas próximas semanas, três checagens ajudam: verificar o número de registro na Justiça Eleitoral, ver se a diferença entre candidatos ultrapassa a margem de erro e conferir as datas do trabalho de campo, porque o retrato vale para aquele momento. O primeiro turno acontece em outubro. Quem ainda não conferiu a situação do título eleitoral pode fazer isso gratuitamente no site do TSE.

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